Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#131.235.2025}

Domingo. Aquele dia em que, por não ter nada marcado para fazer, podia fazer o que quero: ir até à praia aproveitar o bom tempo para caminhar na areia, ir beber um café ao Cristo Rei ou à Casa da Cerca, pegar num dos vários livros que tenho ali à minha espera e começar a ler, as possibilidades para os Domingos são imensas, especialmente quando está bom tempo e o dia bonito. Mas…

…ir dormir no Sábado depois das 2h da manhã significa que o Domingo fica imediatamente estragado. Porque antes bastava dormir o resto da noite até meio da manhã, vá!, e acordava revigorada e com a bateria recarregada a 100%, livre de cobranças do meu corpo cada vez mais exigente. Agora? Todos os dias o meu corpo exige descanso e recuperação mesmo que o esforço não tenha sido grande. E se, como na noite passada, tiver a audácia de desafiar os meus limites, é claro que o meu corpo vai cobrar.

E hoje cobrou. Muito! E de uma forma muito intensa, quase violenta. Tudo aquilo que eu tinha pensado em fazer…não aconteceu. O meu corpo não deixou. Porque a fadiga, que não é o mesmo que o cansaço, se impôs e me exigiu o que não lhe dei ontem à noite a horas decentes: descanso.

E tudo isto é, para mim, uma estupidez tão grande à qual ainda não me habituei e muito menos aceitei. E que me deixa profundamente chateada, zangada, revoltada, frustrada e, claro, esgotada. E depois dou por mim a pensar que vou conseguir dar a volta a isto, que vou conseguir fazer como antes, que vou voltar a ser como era. Penso tudo isto só para me magoar mais um bocadinho, porque voltar ao antes não vai acontecer. E eu não aceito…

Continuo a tentar reorganizar-me para gerir o meu tempo de forma a conseguir incluir tudo, incluindo os períodos obrigatórios de descanso. Mas a contínua negação das evidências bloqueia-me qualquer tipo de acção que me recorde deste meu novo normal

Este Domingo já lá vai. Quem sabe no próximo, em dia de eleições, consiga ter um Domingo diferente…

{#130.236.2025}

Um bocadinho perdida. Um bocadinho sem Norte.

……de tantas coisas que quero fazer num só dia, faço zero……todos os dias……

Preciso que me dêem a mão enquanto tento organizar-me. Entre o que quero fazer, o que posso fazer e o que realmente consigo fazer, a confusão na minha cabeça é enorme. E se ninguém se sentar ao meu lado e me guiar para me organizar, vou continuar a fazer o que tenho feito até aqui: nada!

……e não pode ser……

{#129.237.2025}

A t-shirt que a Patrícia me ofereceu não podia ser mais a minha cara! Porque, sim!, Houston, I have so many problems! E a total desorganização e péssima gestão do MEU tempo, aquele que eu, de facto, PRECISO para descansar e recuperar o meu corpo depois da fisioterapia de manhã e antes de tudo o que tenho para fazer à tarde é “só” um desses problemas…

A fisioterapia de manhã esgota-me. Ao ponto de agora ter que reorganizar com o Zé, o Fisioterapeuta, os exercícios a fazer. Especialmente depois de ontem ter grandes e sérias dificuldades em simplesmente caminhar da paragem do autocarro para o serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital. 300 metros? Talvez nem tanto…

Hoje, e seguindo as indicações da Fisiatra do Hospital, começámos a reduzir o esforço das pernas. Porque já não aguentam muito…

Agora? Cheguei a casa às 15h e prometi a mim mesma que ia aterrar no sofá e, eventualmente, dormir até às 17h para estar a 100% na aula de Yoga de hoje às 19h. Eram 16h36m quando consegui chegar ao sofá…quando já lá devia estar há muito mais tempo.

O meu corpo, depois disto que me apanhou na curva, exige tempo. De descanso, de recuperação. E o que é que eu lhe dou? Exactamente o contrário. Porque continuo a achar que ainda aguento. Mas não. Não aguento. E não me oriento na gestão e organização do MEU tempo. E não posso continuar assim…

{#128.238.2025}

Saudades de percorrer este extenso corredor até à porta que fica lá ao fundo para a consulta de Fisiatria no serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital? Nenhumas!

Saudades de me arrastar neste corredor até à porta lá ao fundo cheia de dores e com extrema dificuldade em andar? Ainda menos do que no ponto anterior!

Mas já está. Por hoje…

{#127.239.2025}

Quarta feira, ao final do dia, já se sabe: é o momento de parar para respirar fundo de forma consciente e alinhar. É dia de Yoga com o Professor @pedro0912andrade e ir, em cada aula, um bocadinho mais além. Como hoje. Em que percebi que, afinal, há sequências e posturas que até consigo fazer. Ou voltar a fazer. E sem cair! O que é de louvar! Depois de tanto trambolhão no tapete e depois de tanto tempo a adaptar posturas, hoje foi dia de respirar fundo e simplesmente fazer! E, no final da aula, ouvir de quem sabe: “quando sentires que és capaz, simplesmente faz!” É possível que as palavras não tenham sido exactamente estas, mas a mensagem era clara: vai e faz!

Também por isto é que cada vez gosto mais do Yoga. Porque me ajuda a trabalhar o equilíbrio, claro, mas também, e acima de tudo!, porque me faz acreditar que sou capaz! Sou capaz de dar de mim sempre mais um bocadinho para chegar mais além.

E esse “dar mais um bocadinho” e “chegar mais além” não passa unicamente pelo trabalho físico, que é muito, mas passa, e muito!, pelo trabalho “cá dentro”.

Está a fazer 2 anos que me juntei às aulas do Pedro. E não tenho dúvidas de que foi no momento certo. Porque tudo acontece quando tem que acontecer e se tem que acontecer. E tinha. Não fui eu que decidi nada. Eu simplesmente…fui!

{#126.240.2025}

Hoje, ao final da manhã, depois da Fisioterapia e em conversa com o professor Pedro:

Ele – tu és a rapariga que quer sempre fazer muita coisa ao mesmo tempo, não podes!
Eu – não! Eu quero é conseguir fazer ALGUMA coisa!

…e, ao fim do dia, acabei por lhe dar razão: só tinha DUAS coisas para fazer! Uma delas mais ou menos urgente (enviar um email com uma breve descrição do que me chateia desde Outubro e que não consigo resolver!), a outra de extrema importância porque o meu novo normal a isso obriga que é tão simples quanto descansar! Repôr energia depois de uma noite mal dormida e uma manhã intensa de fisioterapia.
Tinha só estas duas coisas para fazer. Consegui fazer…zero!

Como sempre:

  • uma situação que vem desde Outubro tem que ter o máximo de informação possível, então bora ler o Código do Trabalho…
  • descansar vai ter que ficar para depois.

Eu gostava de ser menos picuinhas com os emails e mais responsável comigo mesma. Mas depois, como disse o professor Pedro, eu realmente quero sempre fazer muita coisa ao mesmo tempo. E, de facto, não posso. não posso!

……mas teimo em achar que sim, que ainda é tudo como era antes……só que já não é……

{#125.241.2025}

Segunda feira não é suposto ser um dia para acordar já cansada… Mas com isto que me apanhou na curva já sei que é difícil ser de outra forma…

A minha bateria interna já não sabe começar o dia nos 100%. Na melhor das hipóteses começa nos 75%. E rapidamente se esgota. Só assim é possível entender que, depois de uma manhã em que só fui até à fisioterapia, chegue a casa tão cansada, tão sem energia para nada e acabe por adormecer no sofá à tarde e ali fique a recarregar durante 3 horas. Só para acordar ao fim da tarde novamente cansada…

Aprender a reconhecer os sinais do meu corpo. Descodificar cada um deles. Gerir a energia que vou tendo. Poupar cada minuto, cada segundo!, do meu dia. Não perder o meu tempo com o que não vale a pena. Porque o que não vale a pena esgota a minha energia ainda mais depressa. E recuperar é um processo lento, muito lento. Demasiado lento.

Há dois anos, quando ainda nem sequer havia uma suspeita sobre o que realmente se passava com o meu corpo, decidi que em primeiro lugar estou eu e que tinha que começar a ouvir o meu corpo e obedecer-lhe. Não imaginava na altura que todos os sinais que o me corpo me dava já dariam para preencher o primeiro volume do compêndio de sinais e sintomas que não ainda não conheço bem, que me confundem, que me deixam sem saber muito bem como fazer para viver com um mínimo de qualidade.

O que aprendi entretanto:

• fadiga não é o mesmo que cansaço…é pior. Muito pior…

• cada um tem os seus sinais e sintomas, não há duas pessoas iguais…

• todos os dias são diferentes e a cada dia pode surgir uma coisa nova…

Assim fica difícil… Mais difícil fica quando não existem reais grupos de apoio. Onde pessoas com o mesmo diagnóstico se possam conhecer, partilhar experiências, conversar sobre isto, colocar questões, enfim…um verdadeiro grupo de APOIO. Que é tão preciso, tão importante, tão urgente! Não existe. Temos que aprender sozinhos. E não é fácil…

A minha prioridade neste momento: aprender a gerir a minha energia. Porque, sem ela, não consigo mesmo fazer nada…

{#124.242.2025}

4 de Maio de 2025. Dia da Mãe. Aquele dia que há 10 anos digo que não é meu. Ou dizia. Porque hoje, dez anos depois do primeiro Dia da Mãe sem o meu filho comigo, já aceito, em paz, que este dia seja também meu.

O Dia da Mãe em 2015 foi muito difícil. Dia de feira no Jardim da Estrela, como hoje!, onde este dia estava a ser devidamente celebrado. E onde ouvi aquelas frases que me doeram como facadas e que ainda hoje habitam a minha memória: “tu NÃO ÉS MÃE, não sabes!” e “SE UM DIA FORES MÃE, vais saber!”
Frases que doeram tanto que 10 anos depois ainda as oiço e ainda me doem! Muito!

Porque, e agora já aceito dizê-lo!, eu também SOU MÃE! Não tenho o meu filho fisicamente comigo. Mas conheço-lhe o sorriso, o som do riso, o calor do abraço.

Sou a Mãe que me foi permitido ser. E demorei 10 anos a aceitá-lo, a conseguir dizer que não tenho o meu filho fisicamente comigo, mas todos os dias o trago em mim.

Tenho que agradecer ao Feiticeiro Azul que há 9 anos insistiu que eu era Mãe. Sempre lhe disse que não. Ele chamava-me muitas vezes 4M: Menina, Miúda, Mãe, Mulher. E eu nunca soube aceitar que tinha razão.

O tempo passou. E há 2 anos veio ele. Com quem partilhei tudo o que diz respeito aos 42 dias da minha gravidez. Tudo quanto à ausência do meu filho. Tudo o que nunca contei a ninguém. E hoje…hoje ele enviou um reel a desejar-me um Feliz Dia da Mãe. E, pela primeira vez, não doeu. Não magoou. Não me fez querer chorar. Não. Fez-me sorrir!

Pela primeira vez aceito, em paz, que o Dia da Mãe também é MEU! Mãe de colo vazio. E somos tantas! Mãe de um filho sem rosto mas de quem conheço o sorriso de cor. Mãe. Apenas isso. E que é tanto! Mesmo que não possa tocar, cheirar, abraçar o meu filho, não deixo de ser MÃE!

E se agradeci pelos 4M a quem tinha que agradecer, sem dúvida que também tenho que lhe agradecer a ele! A quem contei tudo o que havia para contar. A ele que há 2 anos se mantém ao meu lado de mão dada comigo e que hoje me lembrou, e bem!, que eu sou tantas e também sou Mãe! Obrigada, meu amor! O tempo ajudou, claro que sim, mas ter partilhado contigo tudo sobre o meu filho e perceber que não te esqueceste deste meu papel…só posso dizer: obrigada!

{#123.243.2025}

Não saía de casa desde que voltei da Fisioterapia na terça feira à hora de almoço. Saí cedo, fiz o que consegui e o que o meu corpo permitiu na altura, voltei para casa e não consegui voltar a sair.

Tirando ontem, depois de ligar para a Saúde24 mais para pedir orientações do que propriamente para ouvir a frase que ficou a ressoar na minha memória: “dada a gravidade dos sintomas descritos, vamos accionar o INEM de imediato“…

Com’assim, accionar o INEM de imediato?
A verdade é que me transferiram a chamada para o INEM, “se a chamada cair pode ligar directamente para o 112, já está referenciada e eles já estão à espera do seu contacto”.
A chamada não caiu. Falei de imediato com um técnico do INEM, respondi às 1500 perguntas que me fizeram e terminaram com “a ambulância vai já para aí“. E, no meio disto tudo, a minha reacção foi só “Oi? Como assim, ambulância?”

Chegou em menos de nada. Na ambulância dos Bombeiros de Cacilhas, quartel da Costa da Caparica, dois bombeiros: o Nuno, condutor, e o Gonçalo que me acompanhou na viagem. Apenas 20 anos mas com uma preparação de fazer inveja a muita gente.
“No Garcia de Orta não estão a receber doentes, preparada para ir até Setúbal?” Na realidade, não estava preparada para nada daquilo! Mas fui. Fomos! A minha mãe, claro, sempre comigo.

Exames, observação de valores. Perimenopausa no seu melhor e mais um momento disto que me apanhou na curva e que eu ainda estou a conhecer. Falta extrema de energia, fadiga ao rubro? Quando até falar me deixava sem força? É só mais uma para o rol de coisas que ainda desconheço.

Adormecer depois da 1h da manhã e acordar hoje a pensar que deviam ser 10h e pouco, olhar para o relógio e perceber que, afinal, eram 15h35m. Se calhar o meu corpo estava mesmo muito mais esgotado do que eu pensava…

Agora? Está tudo bem. Obrigada a quem esteve desse lado. A quem perguntou e quis saber. A quem, mesmo à distância de um clique, não me largou a mão: ele.

Tinha que ir à rua hoje, claro. E a esplanada do costume era algo que não me apetecia. Por isso, fui um pouco mais longe, dar uso às pernas que doíam como se tivesse cães a morder-me a barriga das pernas.

Mas fui! Agora? É ir dormir que, para variar, já é tão tarde. E eu teimo em não aprender nada…

{#122.244.2025}

Ligar para a Saúde24 porque atingi um limite…”Dado os sintomas, vamos accionar o INEM.”

Ambulância à porta. Urgência de Ginecologia? Só em Setúbal, diz-me o bombeiro. Pois…seja.

Apesar do inesperado passeio, os Bombeiros de Cacilhas do quartel da Costa da Caparica são uns queridos. Pelo menos o Gonçalo e o Nuno, os que foram destacados para esta chamada e que me acompanharam e à minha mãe até ao Hospital de Setúbal.

Nada de extraordinário depois da consulta. E ainda um longo momento de conversa com a médica que me viu. Sobre o que me levou lá e sobre isto que me apanhou na curva. Que, fiquei a saber, estão directamente ligados. Ou seja, é só mais uma coisa que faz parte. E o recado tão simples da médica: aprender a ouvir o corpo e descodificar os sinais que me dá…

Agora que a madrugada já está instalada, é hora de descansar. É preciso recuperar do dia de hoje. Que é bem possível que demore mais tempo do que gostaria…

Bem-vindos ao meu novo normal. Que de normal não tem nada…

{#121.245.2025}

Completamente…perdida. Perdida por aí no meio de tudo isto que me preenche os dias ultimamente: isto que me apanhou na curva e que ainda estou a conhecer e a aprender como funciona no meu corpo, a anemia que ainda está em tratamento e que me suga toda e qualquer energia que gostava de ter e que o resto não tivesse esgotado, a fadiga e o não conseguir organizar-me para recuperar das manhãs depois de almoço mesmo que as manhãs tenham sido passadas a fazer nada…

O que me conduziu à anemia no final de Janeiro está de volta. Na altura preocupou-me, claro. O diagnóstico de anemia acabou por não ser surpresa, já o esperava depois daqueles 41 dias que começaram em Dezembro e se arrastaram de forma intensa até ao fim de Janeiro. Agora voltou tudo…agravado pela anemia que já existia. Agora sim, sinto a absoluta falta de força seja para o que for. Fisioterapia? Ontem já não consegui ir. Amanhã? Só de pensar em fazer o caminho até lá já me sinto absolutamente esgotada. Por isso, não!, amanhã não vou à Fisioterapia. Nem, novamente, ao Yoga. Simplesmente não estou em condições de nada, para nada…

Acabei por adormecer no sofá ao final da tarde. O meu corpo pedia para dormir desde o meio da manhã depois de, mais uma vez, acordar cedo. Sem despertador e sem necessidade. É feriado, já não ia à Fisioterapia e podia ter dormido um pouco mais. Mas não…

Acordar depois de adormecer no sofá é, por norma, um processo tranquilo. Hoje não foi. E não foi apenas um processo incomodativo. Foi assustador…e não duvido que não foi assustador apenas para mim. A minha mãe estava comigo. E quando eu mais precisava de estar acompanhada, por mais nada que apenas não estar sozinha, ela afastou-se. Arranjou coisas para consertar, coisas para arrumar. Que tinham que ser feitas, claro que sim. Mas não puderam esperar nem mais um segundo…

E tudo o que eu queria dizer era “Não me deixes sozinha…” mas até a minha voz não tinha força suficiente para ser ouvida…

Foi sozinha que ali fiquei, no sofá, até me reencontrar e procurar em mim mesma a serenidade que estava tão desesperadamente a precisar… Também queria ter dito o mesmo a quem está a 135km e que eu queria tanto ter perto de mim: ele. Acabei por lhe dizer mais tarde, já serena. E disse-lhe também o quanto me custa preocupá-lo quando não estou bem. Porque custa. Porque sei que fica frustrado por não poder fazer nada. Por estar longe. Por não estar aqui. E não me sinto no direito de o preocupar. Mas também não acho justo esconder-lhe o que se passa. Não é justo para nenhuma das partes…

Se estou farta desta bola de neve? Muito. Tanto! Se queria voltar ao meu antigo normal? Não há nada que quisesse mais! Porque este novo normal, que ainda estou a conhecer, é tudo menos simpático ou agradável…

Voltar ao meu antigo normal não é possível. Resta-me ir conhecendo o meu novo normal, aprender os sinais que o meu corpo transmite, descodificar as mensagens. E descansar. Que é o que eu já devia estar a fazer agora…

Amanhã? Não vou à Fisioterapia. Não vou ao Yoga. Mas vou tentar perceber se ligo ou não para a Saúde24… Tinha dado a mim mesma o prazo de segunda feira para o meu corpo entrar nos eixos. Mas admito que a questão da anemia e o regresso intenso do que a provocou me está a preocupar. Muito. Por isso, amanhã logo se vê. O mais urgente neste momento? Ir dormir…

{#120.246.2025}

Dia riscado à força do calendário. Sem capacidade de ir à Fisioterapia, sem capacidade de ir ao Yoga. E, de repente, é Janeiro outra vez…

Ainda a recuperar de uma anemia que Janeiro me trouxe, ainda a repôr os níveis de ferro que Janeiro me roubou e dou por mim no mesmo cenário praticamente 4 meses depois. E com dores que dispenso, sem energia absolutamente nenhuma, sem força para nada, nem para sair do cadeirão depois do café pós almoço para aterrar no sofá…

Não, não gosto nada disto. E não me posso esquecer que o meu novo agora, o meu novo normal, é diferente do que era, requer outro cuidado, outra atenção.

Já decidi que vou dar até segunda feira para ver como corre. Se melhora. Se pára. Se não melhorar, a Saúde24 vai ter que me encaminhar, especialmente agora que estou sem médico de família. Centro de Saúde ou Hospital, é-me indiferente. Desde que tratem de mim.

Este cansaço absurdo de hoje trouxe-me a vulnerabilidade, a fragilidade e a insegurança. E, no meio disto tudo, o medo. O medo de perder o melhor que me aconteceu, que me acontece todos os dias há praticamente dois anos: ele. Não gostei, claro que não gostei!, de toda a insegurança que tomou conta de mim hoje. A fragilidade. A vulnerabilidade. Que assumi perante ele, claro. E que justifiquei com o cansaço que sinto agravado pela violenta TPM que tomou conta de mim hoje. Quando tudo o que mais queria era tê-lo aqui, ao meu lado, não a 135km de distância. Queria ter o colo dele. O abraço dele. O cheiro dele. O beijo dele. Queria só tê-lo. A ele. Aqui. Comigo. Junto a mim…a proteger-me, a acolher-me naquele abraço quentinho e protector. Não duvido que, com ele aqui, comigo, ao meu lado, ser-me-ia mais fácil repousar este corpo cansado e sem energia ou força que é o meu neste momento…

Descansar. O meu corpo precisa urgentemente de descansar. E é isso que vou fazer agora. Amanhã, feriado, não há horário para acordar. E eu vou ter que conseguir descansar…

{#119.247.2025}

Depois do estranho dia de ontem, o regresso à normalidade. Que, ainda assim, foi uma estranha normalidade. Pelo menos de manhã.

Sem trânsito, o autocarro chegou à paragem de destino 15 minutos antes da hora normal. Almada, numa praça central e sempre movimentada, quase vazia, quase sem carros, quase sem gente. A escola não sei se estavas a funcionar ou não, mas percebeu-se o sossego à entrada, faltava a confusão típica das movimentações de adolescentes de um lado para o outro.

Na minha manhã, a Fisioterapia manteve a normalidade apesar da estranheza da vida lá fora. A minha tarde? Ceder ao cansaço. Ou à fadiga, que não é o mesmo que o cansaço. E às dores nas pernas que se ressentiram do ar frio com que não contei de manhã.

Adormecer no sofá depois do almoço. Tenho que retomar esse hábito enquanto posso. Porque o corpo não aguenta e exige repouso, descanso, recuperação. E sei que já não falta assim tanto tempo quanto isso para o ritmo dos meus dias mudar para uma rotina mais exigente…

Agora é importante descansar sempre que me for possível. Como agora. Porque amanhã o despertador volta a tocar cedo e, apesar de ter dormido à tarde, estou cansada. Ou continuo cansada. Ou…

{#118.248.2025}

Apocalypse Now…?

Segunda feira, 28 de Abril de 2025., 16h00…

Sem electricidade, telefone e Internet desde as 11h30, mais ou menos. 

Começou por ser “só” uma falha de electricidade na clínica de Fisioterapia. Depois passou a ser ali e provavelmente no prédio do lado. Depois já era, afinal, na rua toda. Na praça. Afinal era geral.

Rapidamente se percebeu que o geral não ficava só por ali. Não era só na cidade. Ou no concelho. Era um apagão aparentemente nacional. E pouco mais se conseguiu saber porque tanto a rede telefónica como a de Internet deixaram de funcionar…

De vez em quando, e sabe-se lá muito bem como, alguém trazia novidades: “começou em França”, “vão demorar 72 horas a repôr tudo”, “vamos deixar de ter água”. E, na minha cabeça, com base em informações que “ouvi dizer”, os filmes de terror apocalíptico começaram a rodar…

Como não? Sem acesso ao mais básico da informação, sem fazer a mais pequena ideia do que aconteceu, do que vai acontecer, do que pode acontecer!, sem conseguir comunicar com ninguém porque, no telemóvel, a indicação de “Sem serviço” insiste em ocupar o lugar do nome da minha rede fornecedora de serviço telefónico e Internet…

Sabendo que o Mundo está um lugar cada vez mais estranho, e até perigoso, esta súbita ausência de normalidade assusta. Na era do imediato, porque está logo tudo já ali à mão num qualquer telemóvel, a impossibilidade de aceder à informação para se perceber o que se passa assusta.

Já não sabemos viver assim. Estamos já demasiado formatados e habituados a só não sabermos se não quisermos. A informação, toda a informação!, à distância de um clique envolve-nos numa bolha de segurança, numa zona de conforto de que não abrimos mão. Mesmo que inconscientemente. Já nem nos apercebemos de que estamos constantemente a ser bombardeados com tanta informação, muita dela sem qualquer interesse ou utilidade, outra tanta falsa ou apenas incorrecta, que fica muitas vezes difícil de reconhecer o que realmente é verdadeiro, necessário, útil. 

E hoje, cinco horas depois de nos privarem do acesso à informação de que, neste momento, precisamos, há tantas perguntas que não temos a quem fazer, tantas dúvidas que não serão esclarecidas no imediato a que nos habituámos, tantos medos e receios que guardamos em silêncio… 

Quando falamos em “apagão”, rapidamente somos transportados para dois cenários reais que ainda existem na memória de uns quantos: a cegonha há mais de 20 anos e a rede eléctrica de França que alimenta a rede eléctrica em Portugal há 3 anos. E pensamos em tempo de resolução à altura de cada evento e as proporções de cada um. 

No caso da cegonha, foi uma noite inteira de Portugal às escuras. Na manhã seguinte já o fornecimento eléctrico estava reposto. A Internet era ainda muito incipiente em Portugal ou praticamente inexistente. Redes sociais como as conhecemos hoje não eram mais do que uma mera ideia futurista. Portanto, não havia conversas com ninguém que se encontrava nos antípodas para discutir o assunto do momento: o facto de não haver luz. Em lado nenhum.

Quando a rede eléctrica em Portugal deixou, por breves instantes, de ser alimentada pela rede eléctrica francesa por ter havido uma qualquer avaria, estávamos no Verão. Mais uma vez o país estava apagado, mas tanta gente nem se apercebeu. Sábado e Verão combinam perfeitamente com tarde de praia. Entre grande parte do país sem luz daqui até França e as ondas refrescantes numa praia qualquer, ganhou a praia, claro. Mas, apesar da extensa área geográfica afectada, a resolução foi rápida e em 3 horas já era possível ver que, por todo o lado, a electricidade estava de volta. E, nesta tarde de um qualquer sábado de Agosto há 3 anos, as redes sociais foram acompanhando passo a passo o desenrolar da avaria desde o primeiro “faltou a luz?” até ao último empolgado”voltou!”…

Costa da Caparica confirmava com Oeiras que também não tinha luz enquanto Algés e Vila Nova de Gaia conversavam sobre o mesmo. E, pouco mais do que 3 horas depois de Portugal, Espanha, França se apagarem sem nunca se perder a rede de Internet, a normalidade voltou.

22h34m

Ainda sem electricidade, telefone e Internet, a esta lista de ausentes junta-se a água que já não corre nas torneiras. Lá fora, durante algum tempo, um carro estacionado deu algum conforto a toda uma rua apagada mantendo os faróis ligados. Até se ir embora, parecia quase uma noite normal. Depois…depois deu para perceber, ou relembrar!, que a noite é, de facto, um lugar muito escuro. A Lua Nova também não ajuda a confortar quem, como eu, não se sente confortável com a escuridão.

De repente, uma SMS é recebida. O nome da rede já se apresenta no canto superior esquerdo do meu telemóvel, o que me permite alguma comunicação. A SMS? Da Protecção Civil. A dar conta de que a electricidade será reposta gradualmente e apelar à serenidade. A verdade é que, mesmo não resolvendo nada no imediato, esta mensagem faz-nos sentir acompanhados. Quase aconchegados.

A escuridão lá fora, acompanhada de um silêncio pouco habitual apenas cortado de vez em quando por um qualquer carro que passe na estrada, é desconfortável. Muito desconfortável… Felizmente, não é uma longa noite de Inverno. Não está frio. O Sol pôs-se depois das 20h30. E, com sorte, amanhã já teremos luz… Agora? É preciso descansar. Dormir. E, acima de tudo, não pensar nos filmes de terror apocalíptico que rodam na minha cabeça…

{#117.249.2025}

Domingo que começou desnecessariamente tão cedo e que, depois de um dia inteiro a lidar com dores, fadiga que não é o mesmo que cansaço, ainda mais dores e uma dose desmedida e absolutamente desnecessária de ansiedade e os seus efeitos psicossomáticos, termina bem mais tarde do que tinha programado.

Mas, da minha janela, tive a oportunidade de ver as cores de final de dia que tenho deixado passar sem lhes prestar a devida atenção. Tenho que voltar rapidamente a perseguir essas cores e até a ver o pôr do Sol na praia, que já não faço há tanto tempo que nem me lembro quando foi a última vez…

{#116.250.2025}

Sábado. Que, como sempre, começou estupidamente cedo, mas sendo para uma aula de Yoga é sempre por uma boa causa.

E as aulas de Yoga são, para mim, momentos de superação. Alcançar e manter uma postura que, com a falta de equilíbrio, me atirava literalmente ao tapete e que hoje consegui não cair e tentar nova postura desafiante e conseguir…tudo isto são pequenas grandes vitórias! E fico tão contente quando consigo ir um bocadinho mais além. Não precisa de ser muito longe! Mas só um bocadinho todos os dias e em menos de nada já avancei muito! Porque pode ser difícil. Ou não ser fácil. Como quiserem descrever. Mas eu sei que consigo e é só isso que me interessa!

O resto do dia? Ceder ao cansaço de nada, ou à fadiga que vem disto que me apanhou na curva. Descansar é obrigatório. Mesmo que não se tenha feito muito…

Agora? É ir dormir. Estou, mais uma vez, a apagar lentamente. Preciso muito de dormir. Aproveitar que amanhã ainda é sem despertador e sem pressa ou hora para acordar…

{#115.251.2025}

E hoje, para o jantar, a companhia surpresa dos 2 homens da minha vida, os meus sobrinhos. Cada vez maiores, mais altos, mais bonitos. Cada vez mais meus, desde sempre e para sempre.

À direita, o microsobrinho e os seus crescidos 12 anos. À esquerda, aquele que daqui a 5 anos já será um jovem adulto de 20. E que hoje, no auge dos 15 anos, de voz grossa e bigode feito, está a meros 5 cm de diferença da altura da tia, que sou eu com 1,71cm, e prestes a pôr-me debaixo do braço.
Aqueles que antes eu chamava de mini-homenzinhos da minha vida, já posso chamar de homens da minha vida. Mini, aqui, já não se aplica, embora o microsobrinho seja eternamente o microsobrinho.

Já não os via há muito tempo. Demasiado tempo. Sabia-os crescidos. Mas nada como ver para crer.

Não sei o que fizeram aos meus meninos pequeninos. Mas não duvido que, como meninos crescidos que já são, vão continuar a trazer-me coisas muito boas. E vão continuar a ser os homens da minha vida.

Foram embora nem há 10 minutos. E já estou cheia de saudades deles!

{#114.252.2025}

Eu sei que, ao final da manhã, disse que queria ir ver GNR em Almada esta noite. E queria mesmo muito.

Também disse que, fisicamente, não estou em grandes condições para aventuras. E, por aventuras, refiro-me a sair de casa já cansada porque, à tarde, não fiz o que o meu corpo me pediu tanto: descansar e, eventualmente, dormir um par de horas para recuperar da aula de Yoga de ontem e da manhã na Fisioterapia. Que, se ontem de manhã já foi puxada, hoje foi mais do que isso.

Sim, eu sei que 10 minutos numa bicicleta estática não é grande coisa. 2,4 km de distância pedalada também não é nada por aí além. Mas a uma velocidade de 17km/hora fiquei entretanto a saber pelo Fisioterapeuta que já é um bocadinho too much.

Mas assim que me vi em cima da bicicleta, que só comecei ontem!, fiquei subitamente cheia de pressa. Para não ir a lado nenhum, eu sei. Mas até para ir a lado nenhum ele me perguntou se fui de mota…e não me refiro ao Fisioterapeuta (“Fui de Casal-Boss”, foi a minha resposta. Mas até podia ter sido de Sachs-Sis que era a mesma coisa…)

Claro que não fui a Almada ver GNR esta noite. Mas continuo a querer muito ir vê-los num sítio qualquer onde actuem. Porque, sim!, há muitos anos que gosto muito de GNR. Lembro-me de, ainda nos anos 80!, saber de cor a letra de Efectivamente. E de, nos anos 90, numa colónia de férias aos 15 anos ter ganho a alcunha de GNR porque no Walkman que me acompanhava sempre só passava uma cassete: GNR in vivo. Como eu quero tanto! E no festival Sol da Caparica, não me lembro em que ano, estar à noite na esplanada das mesas infinitas a ouvi-los foi só tão bom!

Por isso, não!, hoje não fui vê-los ao vivo em Almada. Mas, neste momento, no meu Spotify quem canta é Rui Reininho. Por isso, não me moam! Mas podem sempre levar-me a um concerto de GNR. É coisa que não me importo mesmo!

{#113.253.2025}

As pessoas deviam ser como as aulas de Yoga. Vá, não digo as pessoas…mas digo, claro que sim!, o Mundo! Porque no Yoga nunca nos é exigido mais do que aquilo que realmente conseguimos dar. Tão simples assim.

E, depois de mais uma fabulosa aula, volto a agradecer ao Professor @pedro0912andrade que realmente nunca nos pede mais do que podemos dar. Diz tantas vezes “vão só até onde conseguem“. Tão simples quanto isso.

Mas, e já vai fazer 2 anos que me apresenta desafios que nem ele sonha, só posso mesmo agradecer por me fazer querer sempre ir um bocadinho mais além. Sempre acompanhada pela respiração profunda e consciente, a verdade é que, e dadas as (minhas) circunstâncias, às vezes até eu me surpreendo onde já cheguei! E prometo (a mim mesma, acima de tudo!) que qualquer dia volto a conseguir alcançar o Sarvangasana sem ajuda e o Trikonasana sem me estatelar no tapete! Mas, para já, vamos apostando num Surya Namaskar adaptado com muito Adho Mukha para fortalecer os braços e relaxar as costas. E, em casa, não me posso esquecer de que 30 minutos de Viparita Karani por dia fazem maravilhas às minhas pernas!

Muito obrigada, Pedro! E na próxima aula lá estarei mais uma vez para dar o que posso e não me ser exigido o que ambos sabemos que não posso dar!

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Passaram duas semanas desde o dia da infusão. Ia jurar que tinha sido há bem mais tempo… Mas as análises pós-medicação são feitas sempre duas semanas depois. Amanhã já devo ter os resultados, e só posso esperar que a medicação não me esteja a alterar valores que não deve… Acredito que não esteja, mas…

Hospital – Fisioterapia – Casa. Muito cansada, claro. Mas hoje não fiquei de castigo no cadeirão a tarde toda com a gata ao colo. Mergulhei no sofá e foram três horas que passaram a correr. Foram o suficiente? Não…

E, desde há alguns dias que já não sei quantos, a perna esquerda… Que me dói. Que sinto a ficar sem circulação. Que sinto que precisa de estimulação. De trabalho. De exercício. E que me faz ter muita vontade de chorar. Porque incomoda. Muito. Demasiado

Amanhã tenho que conversar com o Fisioterapeuta. Temos que fazer alguma coisa a esta perna. Porque eu não aguento ficar sempre assim…

…até amanhã o desconforto mantém-se, a falta de circulação incomoda, a vontade de chorar aumenta

Eu não procurei nada disto. Mas isto encontrou-me. E trouxe tanta coisa atrelada. Porque a questão da minha perna esquerda, todas as questões da minha perna esquerda!, estão directamente ligadas a isto que me apanhou na curva. Quando o sistema nervoso central deixa de conseguir comunicar e transportar correctamente a informação, não há muito a fazer. Mas, o que houver, eu quero e vou fazer!

Neste momento é a vontade de chorar provocada pelo incómodo na perna. Amanhã pode ser o mesmo ou qualquer outra coisa. Não interessa…estou farta disto. Disto que não procurei, que não me pus a jeito, que não provoquei. Mas que me encontrou e veio para ficar

Descansar o corpo é obrigatório. Mesmo que a cabeça esteja a mil, como agora!, é obrigatório dar descanso ao corpo. Com mais ou menos dores, mais ou menos incómodos, mais ou menos seja o que for que isto escolher para hoje…porque para amanhã pode tão bem ser outra coisa qualquer.