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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#071.295.2025}

Dia tão comprido… Fisioterapia de manhã, como sempre. Uma visita ao Hospital para a habitual análise de avaliação da função hepática. Voltar para casa…

Chegar a casa às 14h30 depois de ter saído às 8h. E só de manhã as minhas pernas deram tudo o que podiam dar. Ao ponto de quase terem desistido assim que chegaram a casa. Dar um simples passo? Há já algum tempo que consegue ser tarefa quase impossível. Eu dou-lhes ordem para avançar e elas parecem não me ouvir. Cruzar a perna esquerda por cima da direita quando estou sentada é possível? Ser possível é, mas hoje foi particularmente difícil.

Com Yoga ao fim da tarde, era imperativo descansar no sofá por um bocado. Não aconteceu durante tanto tempo como gostaria, pouco mais de meia hora foi pouco, muito pouco. Mas foi o suficiente para sair de casa com um pouco mais de agilidade nas pernas. Ao contrário dos últimos dias em que tinha blocos de cimento no lugar das pernas, hoje estavam notoriamente mais flexíveis. Mas ainda assim tinha receio da aula de Yoga…

Não há dúvida que as aulas de Yoga são o melhor momento das minhas semanas. E hoje não foi excepção. Subir aquelas escadas sem corrimão é sempre um desafio. Que supero sempre que há aula. Mas não nego que tenho medo, muito medo, da chegada ao primeiro andar…Aquela porta estreita que fica toda chegada à esquerda e onde não há onde me agarrar é a parte mais difícil. Requer um esforço que não tenho como descrever. E, sei-o bem, é um risco grande para mim. Mas não é isso que me vai fazer deixar de ir às aulas.

E depois há as palavras do professor Pedro em resposta ao feedback que lhe enviei a pedido dele que me fazem continuar a progredir e me ajudam a acreditar um pouco mais em mim mesma. “Tens sido uma pessoa que me faz acreditar que, quando queremos viver, vale sempre fazer um esforço para continuar de cara alegre.” E nem sempre a cara alegre é fácil de alcançar. Mas no Yoga, com o Yoga, tenho conseguido muito mais do que alguma vez pensei alcançar. A nível físico, claro, mas acima de tudo a nível mental. E sei que é ali, com alguém que acredita em mim mais do que eu mesma, que vou conseguir alcançar a melhor versão de mim mesma, com ou sem dificuldades. Mas, como escrevi ao professor Pedro, hoje posso não conseguir alcançar uma postura. Mas sei que amanhã vou conseguir. E é assim também na vida lá fora: é não desistir e descobrir o meu ritmo para alcançar.

Agora, a esta hora, 23h50, é urgente descansar e dormir. Amanhã a clínica de Fisioterapia espera-me logo cedo. E o meu corpo está a cobrar-me o dia tão comprido de hoje…

{#070.296.2025}

Dos dias difíceis: hoje. Sair de casa às 8h para chegar às 14h. Era “só” para ir à fisioterapia. Não foi…

E sair de casa com dores e dois blocos pesados de cimento no lugar das pernas já é mau, fica ainda pior quando na fisioterapia há manipulação (a custo…) das pernas e exercícios que obrigam a mover esses blocos de cimento que pesam 4 toneladas cada um…
Chegar a casa às 14h porque eu não ando, arrasto-me. Com as dores. Porque os blocos de cimento são pesados e pouco ágeis…

E, ao entrar em casa, as primeiras palavras que digo traduzem o que vai cá dentro: “quero voltar a ser EU!” Porque esta não sou Eu. Ou não era. Ou…já não sei.
Sei que não me reconheço. Sei, também, que não me identifico com nada disto que agora me acompanha. E que me vai acompanhar sempre.

Não. Esta NÃO sou EU. Ou não era. Ou…sei lá!

Cansada de me sentir presa! Em tudo! Por tudo!
Ser corrida a toque de caixa para cumprir horários e objectivos que não são os meus. O MEU TEMPO agora corre como eu: mais lento. E eu PRECISO daquilo que é MEU: o MEU tempo! Para me reencontrar. Para me conhecer de novo. Porque ainda não conheço esta nova Eu que NÃO SOU EU!

As pernas doem. Muito. Mas o resto, aquilo que não se vê mas que faz de mim EU, dói muito mais.

E quem não entender, quem não aceitar, quem não quiser ficar…siga! Eu, se pudesse, também me afastava de mim…mas não posso…

{#069.297.2025}

Há dias difíceis. E depois há aqueles dias que são MUITO difíceis. E hoje foi um deles.
Começou com a Fisioterapia, que custou MUITO e onde o Fisioterapeuta percebeu que o meu uso da máscara é, também, para esconder as caretas que faço a fazer os exercícios aparentemente tão simples. Que são.
E depois a consulta com o Fisiatra da clínica que me diz, muito sério, que eu preciso de fazer chegar ao neurologista a informação sobre os novos sintomas e sinais de progressão desta coisa que me apanhou na curva e que, sendo sintomas e sinais cognitivos, têm que ser avaliados rapidamente.
Para terminar esta manhã em que me senti sempre pressa nos movimentos e que o Fisioterapeuta disse que eu não estou presa mas estou com alguma resistência ao movimento, resistência que lhe disse não ser consciente, veio a chuva. A MUITA chuva. E ver a água a escorrer na estrada é ver o chão a mexer e isso é assustador.

Já em casa. E só me apetece chorar. E dizer a TODA a gente: se não tens nada útil ou simpático para dizer, então não digas nada!

Dizerem que há quem esteja pior não ajuda. Em nada. Não é útil. Não é simpático. E sempre ouvi dizer: com o mal dos outros posso eu bem. E posso!

Sim, estou de telha! Impossível de aturar. Mas não me esqueço de quem me diz: estou aqui. E, a quem está, eu digo: MUITO OBRIGADA ❤️

Agora vou só ali lamber as feridas. Com licença. Obrigada e boa tarde.

(…não me moam…por favor…)

{#068.298.2025}

A reter…
(e a processar para digerir para aceitar)

incapacidade
(in·ca·pa·ci·da·de)

nome feminino

  1. Falta de capacidade.
  2. Inaptidão, inabilidade.
  3. [Direito] Falta de capacidade jurídica.

“incapacidade”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/incapacidade.

E, dentro de alguns meses, a respectiva percentagem…porque ela é real e só hoje me caiu a ficha… Mais uma de tantas fichas que estão por cair ainda…

{#067.299.2025}

Às vezes apetece-me fazer como ela: enroscar e aninhar e, em posição fetal, tapar os olhos para o Mundo, esquecê-lo por um tempo e ficar assim, fechada sobre mim mesma…o Mundo está um lugar feio para se estar. E eu estou cansada de o ver assim: a perder o rumo. Ou, ainda pior, a tomar um rumo muito pouco recomendado.

Amanhã, se perguntarem por mim, é muito provável que esteja a dar uso ao sofá. De olhos tapados para o Mundo, como ela.

{#066.300.2025}

Jana. Nome da tempestade que me abanou e encharcou no caminho para casa. Que me fez tremer. E que me fez rir. Rir muito. Riso de gargalhada solta e sonora enquanto me debatia de frente com a força de um vento desmedido que teimava em tentar derrubar-me. Ri como há muito tempo, demasiado tempo!, não ria!

Em casa tento reorganizar as ideias na minha cabeça das mil e uma coisas que tinha em lista para fazer esta tarde. São 16 horas e das mil e uma coisas ainda não fiz uma única. Porquê? Porque teimo em deixar-me distrair por coisas pequenas. Até porque as coisas grandes estão todas na minha cabeça a causar dano quando penso nelas. E por isso permito-me ser distraída por coisas menores que não doem, que não magoam…

A vontade é fechar-me no quarto, em posição fetal em cima da cama, fechar-me sobre mim mesma numa tentativa de auto-protecção. Mas proteger-me de quê?

………acima de tudo, proteger-me de mim mesma. Já conheço demasiado bem o poder de auto-destruição que carrego comigo. O poder imenso de me magoar a mim mesma. E a vontade de me auto-punir por algo que, já sei, não procurei, não fiz por alcançar, mas que me encontrou e veio para ficar…
Não, não tenho qualquer responsabilidade no que me chegou. Ainda assim tenho aquela vontade imensa de auto-punição. Como se, de facto, a responsabilidade fosse inteira e exclusivamente minha…e qualquer auto-punição merecida.

Jana. Nome de tempestade que, lá fora, vai fazendo estragos e deixando marcas por onde passa. Cá dentro? Há uma outra tempestade com um nome para mim impronunciável que vai progredindo e fazendo estragos e deixando marcas. Em mim. Uma tempestade que não vai passar nem desviar-se da rota quando o único alvo sou eu.

Auto-punição? Merecida. Ou mecanismo de auto-protecção para navegar na tempestade que me atingiu? Na realidade não sei. Mas estou disposta a descobrir. Deitada em cima da minha cama. Em posição fetal…porque não vai doer mais do que já dói.

…………

22h15m…e das tais mil e uma coisas que tinha em lista para fazer esta tarde, fiz 2. As outras 999? Não me lembro de nem uma…o que eu tinha em mente para fazer perdeu-se por aí numa memória com sérias dificuldades em absorver informação. Não me lembro de nem uma coisa que tinha em mente para fazer, mas sei que há muita coisa que preciso de fazer e não consigo dar esse passo…

Amanhã. Amanhã logo se vê. Hoje não. Hoje recolho cedo. Porque amanhã é dia de Yoga logo de manhã cedo e o meu corpo está a cobrar-me o tão necessário descanso que insisto em não lhe dar…e ir até ao limite, ou para lá do limite!, não é nem bom sinal nem bom para mim. Seja a nível físico ou mental…

{#065.301.2025}

A 20 dias do meu aniversário. Tinha prometido a mim mesma que, este ano, não faria contas ao tempo que falta para fazer o upgrade para a versão 4.8 mas, como acontece sempre com as promessas que faço a mim mesma, não vou cumprir. As promessas que faço aos outros faço questão de manter e cumprir sempre. Mas, lá está!, os outros primeiro. Sempre. Desde sempre. E só depois eu…

Este ano, e de repente cai-me a ficha que daqui para a frente o calendário não deverá sofrer grandes alterações, não vou reunir os amigos, como fiz o ano passado. Quero muito ir almoçar e/ou jantar nesse dia com alguém, claro que sim. E até sei onde gostaria de ir e com quem. Mas, numa data que vai coincidir com o início de um período de auto-isolamento para preparação de nova toma de medicação para isto que me apanhou na curva, já sei que terá que ser só com uma pessoa. Até podem ser duas, desde que se dividam pelo almoço e jantar, uma em cada refeição.

Mas, se calhar, já está na altura de começar a falar com quem quero presente. Ainda não o fiz, claro… Depois queixo-me, mas a culpa será, obviamente, minha. E tenho que deixar de ser parva e de pensar que vou estar a incomodar ou a impor a minha presença, ou o que for. É importante pensar em mim e no que eu quero. E se, no ano passado, consegui juntar 14 pessoas para jantar, porque é que não conseguirei este ano chamar uma pessoa para almoçar e/ou jantar?

Depois, dentro da minha cabeça, claro que já começou a discussão entre a voz que me diz para lhe enviar a mensagem que há quase um mês que quero enviar e a voz que se ri escarninho e diz-me para estar mas é quieta porque a resposta vai ser negativa. E eu gostava tanto de desligar estas vozes…mas ainda não encontrei o botão de on/off…

…………é mais um aniversário………que é mais um dia como os outros………não! Não para mim! É o meu aniversário! É o meu dia! E em tantos anos foram poucas as vezes que comemorei com amigos! E depois do aconchego que senti no ano passado e com o que este último ano me trouxe de tão desconfortável quero muito ter um momento em que só importa o facto de eu cá estar!

Acho que não é pedir muito…não é pedir demasiado… Não estou a pedir nada impossível! Não peço o céu! Só quero marcar o meu dia com algo diferente, algo especial, algo confortável, algo aconchegante…

Estou cansada…

…cansada de tudo. Cansada, acima de tudo, de ser eu. Tão simples e tão complicado quanto isso…

Sonho demasiado. Mesmo estando perfeitamente acordada, sonho demais. Tanto que dou por mim a questionar-me se estarei assim tão acordada ou é um sonho demasiado vívido que chega a parecer real. Um sonho projectado em tela alheia onde o público se ri da facilidade que é enganar-me… Acordada ou não, não sei, não importa, seja em que estado for sinto vontade de me fechar sobre mim mesma numa tentativa de auto-protecção. Não sei ao certo do que me estaria a proteger. Mas mesmo ainda antes de me fechar sobre mim mesma já estou a lamber as feridas que ainda nem existem…

O dia de hoje foi estranho. Foi confuso. Tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo na minha cabeça e nada à minha volta. E é nestas alturas que me lembro da coruja que existe aqui e que esta noite ainda não ouvi. A facilidade que ela tem de se deslocar. Basta abrir as asas e voar para outras paragens. E eu, que para ele sou uma corujinha da noite, invejo essa facilidade quando, para mim, até caminhar é um desafio. E queria tanto, precisava tanto!, de voar para outras paragens sabendo exactamente a distância até lá chegar… 135km. Distância fácil para a coruja do bairro. Distância impossível para a corujinha da noite que sou eu.

Cansada…tão cansada. E a lidar com tanta coisa a acontecer comigo e na minha cabeça e sem ter aprendido como o fazer!

Chega! Por hoje chega! Entrego os pontos por esta noite e falho mais uma promessa que fiz a mim mesma, a promessa de que seria hoje que me iria deitar cedo. E às 23h30m que são agora já é tarde…

Amanhã. Hoje chega. Já nada do que está escrito faz grande sentido. Mas não consigo parar de escrever, mesmo que não tenha absolutamente nada para dizer…

{#064.302.2025}

Psicossomático. Ou quando o teu corpo decide não responder quando lhe pedes para fazer um movimento tão básico como sentar-te no chão. Ou até ajoelhares-te…

Foi um bloqueio? Foi. É preciso, rapidamente, resolver tanta coisa cá dentro para não bloquear novamente!

Psicossomático…

{#063.303.2025}

O café do costume na esplanada do costume. Mas não na mesa do costume. Aquela mesa ali ao canto. Afastada de tudo e de todos. Protegida e abrigada ali ao canto. Confortavelmente ao canto. Longe de tudo e de todos. Mas a mesa já lá não está. Foi arrumada. Esquecida como se nunca tivesse existido.

…e, de repente, percebo que o mesmo acontece connosco, as pessoas. Especialmente as pessoas que, como eu, se abrigam e protegem confortavelmente a um canto, afastadas de tudo e de todos. A certa altura, especialmente quando é detectado um qualquer defeito que as retira da perfeição, são arrumadas e acabam, simplesmente, por ser esquecidas.

…como se nunca tivessem existido.

E nunca como hoje eu me reconheci numa mesa de esplanada em que foi detectado um defeito que me retirou da perfeição: arrumada, esquecida, como se nunca tivesse existido…

…………

{#062.304.2025}

Paciente regular na clínica de Fisioterapia desde Maio de 2024, tendo iniciado tratamentos de Fisioterapia no Hospital algures em Fevereiro de 2024.
Seria de esperar que o dia mais difícil, mais duro por causa do início dos exercícios depois de tanto tempo sem me mexer muito, dizia eu que seria de esperar que o dia mais difícil, mais duro, tivesse sido o primeiro dia.

Não foi…

foi hoje! Por algum motivo que desconheço, o meu corpo decidiu fechar-se para o Mundo, enrigecendo cada músculo desde o alto da cabeça até à ponta do dedo grande do pé direito, mas muito especialmente do pé esquerdo. Porque a perna esquerda, já sabemos, tem tendência para pesar 3 toneladas. Hoje? Não sei muito bem como descrevê-la. Aliás, não sei também como descrever o que foi hoje fazer todos os exercícios da fisioterapia.

Não foi duro, não foi difícil. Foi, sim!, MUITO duro, EXTREMAMENTE difícil!

Mas estive lá. E, com dores ou sem elas, com músculos mais ou menos rígidos e contraídos, com articulações mais ou menos presas e doridas, fiz todo o trabalho físico prescrito e indicado na folha do fisioterapeuta.

Sem dúvida, hoje foi o dia mais duro e mais difícil de todos os dias de fisioterapia.

O mais fácil teria sido dizer ao fisioterapeuta “hoje não!” e não fazer nada ou fazer muito pouco. Mas eu não de caminhos fáceis e, repetindo essa premissa para mim mesma, fiz tudo o que era suposto, como era suposto.

Agora? Continua tudo muito difícil de fazer. Mas estou cá. Só tenho que me lembrar de ouvir o meu corpo. E obedecer-lhe…

{#061.305.2025}

Há dias compridos. Longos, demasiado longos. Como o de hoje, que começou estupidamente cedo que ainda o ontem não tinha verdadeiramente terminado.

Tic tac…Tic tac…e o tempo continua a passar e passa a correr. Como assim, quase 2 anos de mão dada com ele, num percurso acidentado e que tantas vezes parece uma montanha-russa sem travões? E, nesses muitos dias que são tantos que não me atrevo a contá-los, quantas folhas já não passaram por esta árvore? Não sei…sei apenas que, na mesma medida que as folhas que passaram por essa árvore, foram tantos os momentos tatuados na memória de ambos. E, assim como as raízes desta árvore se aprofundaram na terra, também nos aprofundámos um no outro. Nos colámos. Nos entranhámos. Nos fundimos. Dois que, no fundo, nos tornámos um só.

A palavra que fica do dia de hoje: incrível. Porque diz-me ele que o sou. Porque, digo-lhe eu, se o sou é porque ele me permite sê-lo, fazendo-me acreditar que o sou.

Tic tac…Tic tac…e as folhas regressam aos ramos desta árvore com o regresso da Primavera. E nós seguimos de mão dada. Num percurso incrível a dois.

Dois que somos um. De raízes profundas. Fortes. Firmes. E todos os dias a florescer mais um pouco.

Gosto muito de ti. Tanto tanto tanto tanto.

{#060.306.2025}

Março. Finalmente, Março. Que tardava em chegar.

Março, o mês da renovação. Do rejuvenescimento. Do renascimento. Do recomeço.

Março.

E pergunto-me se será em Março que me reencontro comigo mesma. Que me reconecto comigo mesma. Se me acalmo a mim mesma. Se me tranquilizo a mim mesma.

Será em Março que volto a caminhar de mão dada comigo mesma? Que volto a dar um passo seguro na direcção certa? Que deixo de ter o medo que hoje tive mais do que nos outros muitos dias?

Março. O resto não interessa. É altura de recomeçar. Quase do zero, mas recomeçar. E acreditar que vou deixar de sentir o medo que todos os dias me consome mais um bocadinho…

Março.

E, acredito, está na hora de me sentar comigo mesma e organizar esta confusão que vai na minha cabeça. Só depois ser-me-á possível avançar de cabeça erguida. Um dia de cada vez. Sem pressa e sem pressão. Mas avançar.

E nunca desistir de mim mesma.

Março.

{#059.307.2025}

O dia de hoje foi…estranho. Fisioterapia de manhã, turismo no supermercado novamente quando só ia buscar uma única coisa, almoçar tarde, não dar pelo tempo passar e já são horas de ir dormir.

Dia Mundial das Doenças Raras. E eu, Doente Rara, ainda sem encaixar o diagnóstico e todos os dias a ter que, à força ou não, nem sei!, lidar com tudo o que já me trouxe…

E, ao chegar a casa, percebo que me fecho sobre mim mesma quando tenho mensagens e comentários para responder e não sei (mesmo) o que lhes dizer. Sei que é tempo de cada um que me deixou algumas palavras, e o tempo não é reembolsável e por isso, mesmo sem ter ainda respondido a cada um directamente, agradeço desde já por esse pedaço de tempo que me deixaram.

E continuo com grande dificuldade em conseguir gerir o meu tempo, aquele que eu não dou por passar, mas que vejo a sua passagem todos os dias no Nada que são as minhas tardes, só para chegar à noite e dizer que não fiz nada porque não tive tempo.

Faz sentido? Claro que não. Mas, para mim, cada vez faz mais sentido. Porque eu não consigo organizar a minha cabeça para conseguir organizar o meu tempo…e sozinha já sei que não o vou conseguir fazer.

Mas depois há flores brancas, em vasos pequeninos no supermercado e eu não resisto a flores brancas. E com as flores brancas tento recordar a mim mesma que o dia já terminou e está na hora de ir descansar para amanhã, de manhã cedo, ir bem para o Yoga.

E não se esqueçam: até à meia noite é Dia Mundial das Doenças Raras. Que são “Muito mais do que pode imaginar”.

Boa noite e até amanhã. Não é tarde para vocês, para mim já é tardíssimo. Cruzamo-nos por aí amanhã.

{#058.308.2025}

E, quando o teu corpo te diz que tens que parar, tu páras. Antes que acabes por parar à força, recolhes ao sofá à tarde, embrulhas-te na manta e dás descanso ao corpo e à mente e dormes!

Hoje o dia esteve perfeito para ficar embrulhada na manta e aninhada no sofá o dia todo. Mas a manhã, como sempre, foi passada na fisioterapia. E será assim por tempo (demasiado) indeterminado. No entanto, consegui sair a tempo de apanhar o tão desejado autocarro das 11h03m e ao meio dia já estava em casa, mesmo com passagem pela esplanada do costume para um café rápido e fugir da chuva intensa que caiu de repente.

Deixei a chuva abrandar até vir para casa. E ao entrar em casa o meu corpo gritava por descanso. Mas ainda resisti, lutei para não ir para o sofá, tinha tanto para fazer: telefonemas importantes, emails urgentes para escrever, terminar uma entrevista em inglês para um trabalho de faculdade…

Como sempre, tomar conta de mim não estava a acontecer. Até que não deu mais. O som da chuva intensa lá fora embalou-me até ao sofá onde, à minha espera, estavam as mantas e as almofadas térmicas quentinhas. E, mais uma vez, adormeci com o telemóvel na mão.

Tenho que aprender a parar. Para descansar e recuperar. E não me posso esquecer que, durante anos, ignorei as ordens de descanso que o meu corpo me deu até que em Setembro de 2023 ele me gritou para parar e eu tive mesmo que parar.

Só alguns meses depois, ao sair o meu diagnóstico, é que confirmei que o meu corpo estava a ser levado ao limite demasiadas vezes e o limite não era tão longe como eu achava

Por isso é importante meter na cabeça, nem que seja à força, a obrigatoriedade de parar e descansar!

Ordens do Professor Pedro: ir para a cama cedo para, no sábado de manhã, estar em condições para a aula de Yoga.

Recomendações do Fisioterapeuta: descansar e recuperar.

E hoje já não vou para a cama tão cedo como queria.

O que eu preciso para entrar na linha quanto ao descanso? Uma grande dose de auto-disciplina! Que não tenho nenhuma!

Mas concedo que preciso de descansar. E, por isso, hoje não vou ficar até depois da hora…

{#057.309.2025}

Cansada. Muito cansada. Demasiado cansada. E já em trânsito. Outra vez.
Devia ter descansado depois de almoço. E descansaste? Não, claro que não. E não porquê? Não tive tempo…
E quando é que começas a tomar conta de ti? A tratar de ti a sério? Antes que seja à força? Pois…não sei…

É esta a conversa na minha cabeça neste momento. Conversa que espelha a (minha) realidade.

Tenho coisas à espera de resposta? Tenho.
Mas vão ter que esperar. Só mais um bocadinho. Por favor…

{#056.310.2025}

Começar o dia com andorinhas. À porta de casa.

Dia extraordinariamente longo. E estupidamente cansativo.

Fisioterapia.

Hospital – consulta de Fisiatria com testes, avaliações clínicas, encaminhamentos.

Autocarro – almoço – supermercado – autocarro novamente para chegar a casa já sem tempo para descansar antes de mais uma entrada na agenda.

Consulta. A primeira. Via WhatsApp, claro. Com uma nova psicóloga que, desta vez!, tem tudo para me ajudar: empatia, conhecimento, interesse e vontade. Vem na mesma linha do terapeuta fofinho. Não tem nada a ver com o psicólogo que não me ouve, o do Hospital. Portanto, vai correr bem.

Agora? Rapidamente para a cama. Descansar é urgente. Amanhã? Não tenho pressa. E logo se vê. Mas não posso permitir que os meus dias sejam tão cansativos como o de hoje. Especialmente quando não havia real necessidade…

{#055.311.2025}

Este miúdo dos olhos doces, que ainda não percebi se é um cromo ou um caramelo ou, até!, ambos os dois em simultâneo ao mesmo tempo, que não se deixa fotografar nem se mostra a ninguém, é aquele a quem irei sempre chamar de mini-sobrinho. Ou sobrinho-maravilha. Ou simplesmente meu sobrinho. Que, dos dois que tenho, é o meu “sobrinho mais velho preferido” na exacta medida em que o microsobrinho, também ele um cromo ou um caramelo ou “ambos os dois em simultâneo ao mesmo tempo” é o meu “sobrinho mais novo preferido”.

Dizia eu que este miúdo dos olhos doces que está a menos de meia dúzia de centímetros para ter 1,71m como a tia dele e que não tarda nada me mete literalmente debaixo do braço e cuja voz ao telefone está irreconhecível (e desde o Verão que insiste que está rouco…), dizia eu ou tentava dizer porque ainda me custa fazer estas contas ao tempo, queria eu dizer que este ser humano maravilhoso faz hoje anos. 15 anos. Mas com’assim QUINZE ANOS? Se ainda ontem estávamos na sala de espera da maternidade de Santa Maria com um frio horrível e um vendaval demoníaco lá fora…

Têm sido 15 anos maravilhosos com um dos homenzinhos da minha vida. Mas acho que já não posso chamar de “homenzinho”, pois não? Pois não…

Resumindo que a tia até se enrola toda emocionada: o Miguel faz 15 anos hoje! (Sim! Dói assumir os 15! Mas ao mesmo tempo é tão bom ❤️). 15 anos de um sobrinho-maravilha que (ainda) dá abraços à tia quando chega e quando se vai embora. É o puto mais giro e doce e tudo de bom que pode existir e é MEU SOBRINHO! E há 15 anos fiquei muito mais feliz e estupidamente milionária com a chegada dele ❤️

Miguel dos olhos doces! Sei que não gostas nada quando o digo, mas irei repeti-lo sempre que me apetecer: GOSTO MUITO DE TI!

Parabéns, MEU Minhoca, sobrinho-maravilha, homem da minha vida! Gosto tanto de ti! ❤️

{#054.312.2025}

It’s OK not to be OK…

Sabes que não estás mesmo nada bem e a precisar de ajuda urgente quando:

Hoje foi dia de sair de casa logo depois do almoço, pouco depois das 14h. Apanhar o autocarro até ao centro da vila para beber um café ao Sol na esplanada. Ficar perto de duas horas na esplanada a saborear o Sol. E com a ideia fixa de aguentar o mal estar das pernas para ir até ao paredão ver o pôr do Sol na praia.

Apesar do desconforto nas pernas, estava tranquila, serena e até confiante de que iria conseguir atingir o objectivo de ir ao paredão. No entanto, já tenho vindo a perceber em mim há uns dias breves momentos de respostas e reacções mais impulsivas. Impacientes. Quase agressivas. Reacções em mim que não gosto. Porque essa não sou eu. Ou, se calhar, sou. Bem lá no fundo devo ser eu também…

Subir a rua em direcção ao Mar, ao pôr do Sol, foi um desafio. Porque subir custa. E ir contra a corrente de gente que seguia na direcção oposta também não foi tarefa fácil. E, a certa altura, dei por mim a pensar que todos aqueles que viravam as costas ao Sol que mergulhava a caminho do Mar estavam a perder um momento que, apesar de acontecer todos os dias sem excepção, é sempre bonito e sempre diferente e único.

Havia nuvens logo acima da linha do horizonte, o Sol apareceu fugaz num pequeno intervalo entre as nuvens ao mesmo tempo que eu cheguei ao paredão. E, como acontece sempre, todos os dias, éramos muitos, éramos tantos!, a assistir àquele momento que marca o final do dia e o início da noite. E cada um sentiu aquele momento à sua maneira.

O que ninguém esperava era o jogo de luz e cores que fizeram do céu, logo após o pôr do Sol, uma tela pintada a lápis de cor!, ou seriam lápis de cera?, ou pastel!, ou até pincéis e aquarelas ou gouache! Não sei! Só sei que o espectáculo de cores no céu é memorável. De repente, o céu estava cor de rosa! Lilás! As nuvens tinham cores diferentes do habitual. E todos aqueles que estávamos no paredão assistimos a um momento único e de rara beleza.

Não foi fácil deixar de olhar para aquelas cores no céu, mas com a chegada da noite também as mil e uma cores se despediram. E todo e qualquer registo fotográfico daqueles minutos em que o céu ficou com nuvens nitidamente cor de rosa não fazem justiça ao que os nossos olhos registaram e gravaram na memória…

Já de regresso a casa, a tranquilidade, a serenidade e a confiança do início da tarde começaram a dar sinais de se terem esfumado com as cores do final de dia. Não sei dizer exactamente o que aconteceu, o que estava (e estou!) a sentir. Só sei dizer que a noite não me é boa companheira. E, de repente, percebi que estava com medo… Medo de ficar sozinha comigo mesma…e há muito tempo, que se traduz em vários anos, que não tinha medo de mim mesma…

Tenho medo de como irei reagir quando me cair de vez a ficha de que isto não tem como ser revertido. O meu objectivo com a Fisioterapia não é apenas o de manter o que tenho, mas sim recuperar o que perdi, recuperar o irrecuperável. E foi o falar sobre o meu estado actual que me inquietou e até, de certa forma, me paralisou. Porque desde que cheguei a casa até ter alguma reacção como simplesmente tomar banho antes de jantar houve um período de duas horas em que nada aconteceu. Porque praticamente não me mexi de onde estava, não reagia a conversa, era como se eu não estivesse sequer dentro do meu corpo. Estava longe. Não faço ideia onde. Ou então estava à espera de acordar deste sonho mau para perceber que, afinal, nada se passa comigo.

Não posso continuar a brincar ao Faz de Conta. Faz de Conta que está tudo bem. Faz de Conta que EU estou bem. Não posso continuar a jogar esse jogo porque a maior prejudicada nesse jogo sou eu.

Fiz questão de partilhar com ele o que se estava a passar, o que estava a sentir e que não posso continuar a brincar ao Faz de Conta e que com ele seria impensável jogar esse jogo. Por muito que me custe, e custa horrores!, partilhar com ele quando não estou bem, não estaria a ser verdadeira, sincera, honesta com ele. E ou me aceita como estou ou sou ou lá o que é, ou não. Simplesmente não.

Ele respondeu. Eu ainda não abri para ler a resposta, só vi a notificação, mas faltou-me a coragem… A esta hora em que a noite já passou a madrugada já não vou ler. Preciso de descansar. Preciso de dormir. Fisioterapia de manhã cedo e tanta coisa para fazer e outra tanta para organizar na minha cabeça…e a tarde de hoje, a nível físico, foi um abuso que amanhã me vai cobrar o esforço…

O que eu sei é que voltei a ter medo de estar sozinha comigo mesma. E isso não é nada bom sinal…

{#053.313.2025}

23 de Maio de 2024 a 22 de Fevereiro de 2025. Terminou esta manhã a relação de 9 meses com estes dois: à esquerda Izoniazida, o antibiótico de toma diária em jejum e que obrigava a uma espera de 30 minutos a 1 hora até poder tomar o pequeno almoço e que me provocou ligeiras alterações da função hepática (mas que, sei-o, podia ser bem pior) e à direita Piridoxina, também conhecido por Vitamina B6 para estimular a produção enzimática para potencializar os efeitos do antibiótico.

E esta relação de 9 meses serviu para quê? Terapêutica Preventiva da Tuberculose Latente. Porque, por causa do meu diagnóstico e da medicação que veio entretanto, fiz os testes da tuberculose e acusou a presença do bacilo no meu organismo. Ou seja, tive algures no tempo e em circunstâncias que desconheço mas que pode muito bem ter acontecido num qualquer transporte público contacto com alguém com infecção activa. No meu caso o bacilo responsável ficou alojado algures no meu organismo e simplesmente adormeceu. Mas o ter adormecido não significa que não pudesse, a qualquer momento, despertar e passar a infecção activa.

A tuberculose latente NÃO É contagiosa, ao contrário da infecção activa, não dá sintomas e está bastante presente na população que, como aconteceu comigo, desconhece que carrega o bacilo.

O tratamento (gratuito) é muito fácil de fazer e pode durar de 3 a 9 meses. É recomendado em vários casos, como por exemplo no meu caso de toma de imunossupressores ou medicação biológica.

Os números actuais de infecção activa, apesar de não serem falados, são assustadores. E os da tuberculose latente também.

Ando há meses a dizer-vos que “hei-de falar nisto”, mas fui sempre adiando. Hoje, dia da ÚLTIMA TOMA da terapêutica preventiva, achei que estava na altura.

O uso da máscara é o maior aliado para evitar a propagação do bacilo. E desde 2016 que as crianças, um dos grupos mais sensíveis, deixaram de ser vacinados com a BCG. O que, na minha opinião, foi burrice. Foi uma decisão tomada dada a evolução da infecção. Ou seja, os números estavam baixos. Mas hoje já não estão… E voltar à BCG parece-me ser uma medida positiva. Mas quem sou eu?

(continua nos comentários do Instagram que me esqueci de copiar para aqui e que já não consigo copiar)

Mas a verdade é que a Tuberculose, activa ou latente, existe, é muito fácil de ser transmitida mas também é, no caso da latente, muito fácil de ser resolvida. E falar com o médico de família sobre este assunto não custa nada.

Agora que celebrei o fim desta relação, está mais do que na hora de ir descansar. O dia começou cedo com mais uma belíssima aula de Yoga, uma longa passagem pela esplanada do costume e, depois do almoço, ceder ao sono no sofá e apagar a tarde toda.

Mas o sono continua presente em mim e, por isso, está mais do que na hora de ir dormir. E, desta vez, sem horário para acordar como acontecia com a toma da medicação. Por isso, dormir é a palavra de ordem neste momento!

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Sexta feira de uma semana que parecia interminável, mas que na realidade se resume a muito pouco ou quase nada. Fisioterapia, Yoga, noites dormidas a correr, acumular cansaço que agora, mais do que nunca, não me traz nada de bom.

Hoje, Fisioterapia logo de manhã, claro, e mais uma passagem pelo Hospital para mais uma consulta. Neuropsiquiatria. Com um novo médico porque o anterior vai estar ausente por um longo período de tempo. E, por acaso, apesar de até ter gostado do anterior, este novo é outro tipo de pessoa, com uma personalidade mais aberta e que sorri. E estamos a falar apenas do psiquiatra, porque a Neuropsiquiatria é um conjunto de duas especialidades e hoje, para além do psiquiatra, esteve presente na consulta também um neurologista. Porque, agora já sei!, há sinais e sintomas que se cruzam nas duas especialidades.

Gostei da consulta. Não gostei da valente molha que apanhei para chegar lá e da outra molha que apanhei no regresso do pavilhão da Saúde Mental.

Mas vou gostar de hoje me deitar (mais) cedo. Que é o que vai acontecer já a seguir. Amanhã? Sábado começa com Yoga logo de manhã. Depois? Logo se vê. Mas há dois importantes emails que vou começar a tratar amanhã. O resto? Logo se vê.