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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#168.198.2025}

O Verão ainda não chegou oficialmente. Mas o calor…

Nunca gostei de muito calor. Há muitos anos que digo que temperaturas acima dos 27 graus deveriam ser inconstitucionais de tão violentas que são. E agora, desde que fui apanhada na curva por uma coisa que não procurei mas que me encontrou e veio para ficar, percebo que muito calor, assim como muito frio!, é dos meus piores inimigos.

Às 12h30m estavam 30 graus em Almada e eu no autocarro para ir ao Centro de Saúde. Baixa mais uma vez renovada por mais 60 dias. Seja… Mas com o calor que estava eu não devia sequer ter saído de casa.

A esta hora, quando a noite começa a roçar a madrugada, dou por mim a pensar no que escrevi ontem durante o dia e também à noite… O meu medo teima em querer tomar conta de mim, mas eu não o posso permitir. Afinal, tudo está bem. Pelo menos no que ontem abanou a minha insegurança e despertou o meu medo. Nada mudou. O silêncio foi quebrado. A normalidade traduzida em presença aparenta ter regressado. E claro que, a esta hora tão tardia, cansada, moída e com sono, todas as dúvidas parecem querer instalar-se… Sinto-as aproximar devagar. Tentam soprar-me ao ouvido todos os aspectos que me fazem tremer nas bases. E eu, na minha bolha, no meu Mundo do Faz-de-Conta, faço de conta que não as oiço…

…é tarde. Tão tarde. Teimo em não pôr em prática o que sei ser o melhor para mim: ir dormir cedo. Tão simples quanto isso. Ir dormir CEDO! Especialmente depois do dia de hoje, que não tendo sido demasiado activo foi particularmente violento por causa do calor. Esgotou-me. Mas, claro, fiz de conta que não estou cansada e que não se passa nada…

Não sei até quando fazer de conta é a melhor opção. Sei, sim, que olhar a realidade nos olhos é algo que tenho tentado evitar. Porque dói. Muito…e eu estou cansada. Cansada de sentir dores. Físicas ou não. Estou cansada…

Mas chega! Não posso ficar aqui ad eternum a debitar sabe-se lá o quê para o éter. É verdade que seria um exercício interessante. Acima de tudo seria um excelente exercício de libertação. E provavelmente de crescimento. Até de cura, talvez. Mas não posso. Não agora. Não a esta hora. Não tão cansada e não, nunca!, com tantas coisas disconexas a passar, ao mesmo tempo!, pela minha cabeça!

Não! Hoje não…! Amanhã? Logo se vê…

{#167.199.2025}

Recolhida na minha bolha. Envergo novamente a minha armadura. Oiço o silêncio de quem tem pressa, de quem perdeu o encanto da novidade…

Sinto a ausência. Permito-me sentir. Tudo. Questiono-me. Sobre tudo. Oiço as respostas que eu própria dou às minhas perguntas. Se as respostas estão correctas? Dou por mim, horas depois do fim do silêncio, a acreditar que as respostas que eu própria dei às minhas questões não são as respostas certas, correctas. Porque existe mais realidade para lá das minhas inseguranças. Dos meus medos.

Os meus medos, esses sim!, são reais. O medo da perda. O medo do abandono. O medo da rejeição, da não aceitação do meu novo normal. O medo… Acima de tudo, o medo. E o refrão de uma música que se repete há anos na minha cabeça: “a vida é sempre a perder!“… E é.

Na minha bolha continuo a fazer de conta. E depois de colocar a minha armadura faço de conta. Que não tenho medo. Que já me habituei a perder e que cada nova perda já não vai doer. Sou perita a fazer de conta. De tal forma que roço a perfeição quando digo que não me dói aquilo que, na realidade, me corrói por dentro.

São muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo. E nem todas são boas. Ou quase nenhuma é boa. E é também por isso que recolho à minha bolha onde poucos conseguem aceder. Onde poucos sabem como aceder. Onde poucos, raros!, querem aceder…

Na minha bolha faço de conta. Que está tudo bem. Que não se passa nada. Que sou confiante o suficiente para não ter medo. Da perda. Do abandono. Da rejeição. Da não aceitação.

Na minha bolha. Cor de rosa. Como se fosse uma bola de sabão.

Amanhã, se for preciso, continuarei a fazer de conta. E já sei que vai ser preciso.

Depois? Logo se vê…

Na minha bolha. A fazer de conta.

Na minha bolha. A fazer de conta. Que não vi. Que não sei. Que não li. Que não senti. Que não vivi.

Na minha bolha. Armadura vestida depois de observados os danos recentes que se juntaram aos danos anteriores. Como cicatrizes, no corpo e na memória, contabilizam histórias. Bem ou mal contadas, são histórias que fazem ou já fizeram doer. Que fazem parte. Que me fizeram crescer.

…que me fizeram endurecer

Endurecida, mas não amarga. Apenas consciente da e na distribuição do que não amargou. Como os meus lápis de cor, que trago em mãos, prontos para distribuir cores por aí. Faltam-me as telas que já foram paredes que já foram pele. Assim como me faltam as letras que formam palavras das cartas que não escrevi. Da carta que, prometida, não cumpri.

Na minha bolha. A fazer de conta. Que não vi. Que não sei. Que não li. Palavras, em verso ou em prosa, faço de conta que não senti. Que não vivi.

Na minha bolha onde poucos, raros!, entram. Porque eu não deixo. Ou porque não tentam sequer. Na minha bolha, uma espécie de Mundo do Faz-de-Conta. Onde já tudo foi possível. Onde hoje só eu existo. Eu e a minha armadura na minha bolha a fazer de conta.

São só palavras, dizem-me. Sempre me disseram. São só palavras que aproximam. São só palavras que afastam. Mas são só palavras. Falta o toque. O arrepio na pele. As borboletas na barriga que me morreram há tanto tempo com um murro no estômago. Já não morreriam hoje com a protecção da minha armadura.

Palavras como gestos ou movimentos, coisas que nos habituamos a dar como garantidas. Não na minha bolha. Aqui já aprendi a abrir mão de tudo, menos dos meus lápis de cor. E enquanto o silêncio se repete, enquanto o silêncio se mantém, na minha bolha ecoa a certeza de que nada pode ser dado por garantido. De que ninguém pode ser dado por garantido. E muito menos eu, com a minha armadura, me permito sequer ser dada por garantida. Porque não o sou, de facto…

Estão 30 graus lá fora. Está demasiado calor. Mas a armadura…? Essa mantêm-se agrilhoada…

Da pressa. E o fim do encanto…

Segunda feira, um calor infernal e impeditivo de ir à rua, um café em casa que aconteceu já há algum tempo, os lápis de cor da minha bolha que se resumem ao lápis preto enquanto esperam por uma oportunidade para a abertura do leque de cores que, durante algum tempo, me preencheram os dias, o silêncio de quem tem a pressa de quem perdeu o encanto do que é novidade e não se queda mesmo com medo, mesmo com dúvidas porque encontra em mim aquele contraponto que é o não ter pressa. Que eu não tenho. Deixei de ter.

Porque eu opto sempre pelos caminhos mais difíceis, porque eu opto sempre por cuidar do que existe de facto, porque eu opto por fazer crescer tudo aquilo que construo. Sim, mesmo com medo. Sim, mesmo com dúvidas. Sim, mesmo cansada. Por dentro, onde me pesa tanto tudo o que sinto, tudo o que vivo. Mas deixei de ter pressa.

A armadura prende-me os movimentos para evitar aquele passo que sei ser desastroso. Protege-me do impacto silencioso do confronto com uma realidade que me chegou sem convite.

O silêncio. E eu não tenho pressa. De armadura que me protege do silêncio. Acolhida pela minha bolha onde os meus lápis de cor aguardam pacientemente o seu tempo também sem pressa.

Terminou o encanto da novidade? Para mim não. Todos os dias, desde que sem pressa, encontro novos pontos de encanto que me fazem querer dar uso aos lápis de cor fora da minha bolha. Mas, por agora, será na minha bolha que permaneço sem pressa. Ainda a deixar-me levar pelo encanto do todo, novidade ou não. Até ao dia em que, na minha bolha, a minha armadura me impeça de dar mais um passo que seja. Em direcção ao silêncio. De quem tem pressa e deu por terminado o encanto da novidade…

{#166.200.2025}

Fazer de conta. Continuar a.
Escondida na minha bolha. Ou será protegida?

Na minha bolha. Continuarei a fazer de conta.

Na minha bolha onde reencontro a minha armadura. Já cheia de marcas de embates anteriores que não contabiliza os últimos embates. Porque, um dia não tão longínquo, ousei retirar a armadura por completo. E também tive a audácia de sair da minha bolha. Senti-me verdadeiramente corajosa e com força e vontade de conhecer e enfrentar o Mundo lá fora. Aquele que existe fora da minha bolha e para lá da minha armadura. Hoje regresso. À minha bolha. À minha armadura.

A minha armadura encho de filtros. Daqueles que só deixam passar o que faz falta, o que faz bem. Na minha bolha pinto o meu Mundo com os meus lápis de cor.

A minha armadura irá continuar a contabilizar embates. Os embates daquilo que, à força, tenta ultrapassar os filtros. A minha bolha irá resguardar-me do Mundo onde, afinal, não posso pertencer.

Na minha bolha terei tempo, o meu tempo!, para me reencontrar. Para sarar as feridas e formar cicatrizes. E, na minha bolha, irei reencontrar a segurança que me foi arrancada depois de ousar retirar a armadura.

A minha armadura. A minha bolha. Estão de volta. E, percebo agora, tardiamente!, nunca deveria ter aberto mão de nenhuma…

{#165.201.2025}

Banho. Aquele momento que, percebemos no final, é devastador. É uma daquelas coisas básicas que nos habituámos a fazer sem pensar muito e sem grande esforço. Físico e/ou mental. E eu tenho (muitas) saudades de tomar um banho assim…

…porque já não sei o que é tomar um banho sem ter que pensar como é que vou manter o equilíbrio quando tenho que lavar o cabelo, e essa parte já faço sentada no banco para não cair!, sem ter que pensar como é que vou ter força para sair da banheira quando as pernas já me dizem que não aguentam muito mais porque a água, morna porque a quente é absolutamente destrutiva, deixou as pernas quase inúteis. Sem ter que pedir ajuda para ir da casa de banho para o quarto que é literalmente na porta ao lado.

Tenho saudades de tomar um banho sem ter que calcular cada gesto, cada movimento, cada passo antes, durante e depois. Sem ter que fazer gestão de energia para depois do banho não me deixar ficar até amanhã em cima da cama, sem me mexer e sem ter energia para absolutamente nada.

Banho de manhã? Acontece. Mas só se não tiver que lavar o cabelo. Aquele banho rápido e sem grandes cálculos de manhã também acontece. E sabe bem. Ajuda a acordar de manhã e não compromete muito a gestão da energia. Mas o outro? Aquele que eu chamo de banho completo que implica duas passagens de shampoo no cabelo, tirar a espuma, pôr a máscara no cabelo, dar-lhe tempo enquanto me ensabôo para depois tirar a espuma e a máscara que parece que nunca sai? Esse só acontece ao fim do dia. Ou já à noite, como hoje. Porque, depois desse banho completo, deixo de existir para o Mundo. Energia? Talvez tenha, com muita sorte, uns 5% na bateria interna.

A verdade é que depois desse banho completo até um simples sorriso tem o peso do Mundo. E, apesar de saber bem sentir a água no meu corpo, fico completamente exausta. Absolutamente esgotada…

Por isso, quando forem tomar banho, façam por apreciar esse momento. Especialmente se for revigorante e vos encher de energia. Eu já não sei o que é isso há demasiado tempo. E tenho saudades…

{#164.202.2025}

O meu corpo tem dores. Várias. Muitas. De diferentes graus. Mas a dor maior…? Não é no meu corpo que dói mais.

A dor maior? Dói-me o meu Eu.

…e quem não entender, não pergunte. Ficamos assim.

{#163.203.2025}

Dia de recuperar. Como se o dia de ontem tivesse sido muito activo, muito desgastante. Que não foi…

Mas, já sei!, às vezes tenho que parar. E tirar o dia só para mim. É verdade que comecei o dia cedo ao telefone e a receber fotografias de um Mini-Batman que nasceu há pouco mais de uma semana e que veio aumentar o número de sobrinhos do coração desta tia babada. E depois ainda há quem diga que as redes sociais são muito más e não trazem nada de bom. A mim têm-me trazido tantas coisas boas que não saberia por onde começar. E neste momento trouxe-me este Mini-Batman maravilhoso, na continuação de uma amizade que nasceu há 11 anos e que nem a distância apaga.

Depois? Foi dedicar o dia a mim mesma. A não fazer nada. A recuperar a energia que estoirei ontem. E, sem medo mas também sem coragem, olhar para as caixas por abrir, as bolas por encher e dizer “Não!”.

Ainda não foi hoje…será um dia destes. Quando tiver que ser. Sem pressa. É, por favor!, sem pressão…

{#162.204.2025}

De Janeiro a Junho. São apenas 5 meses. Não chega a meio ano. Não parece muito tempo. Mas é. É até demasiado tempo. Faz 5 meses que esta encomenda chegou. Faz 5 meses que a caixa por baixo que contém algo que me vai ajudar a trabalhar o equilíbrio em casa ainda não foi aberta. Faz 5 meses que aquelas bolas compradas para me ajudar em alguns exercícios neurológicos estão por encher…

Durante 5 meses estiveram na sala em cima da minha mesa do computador, aquela mesa que eu uso em teletrabalho e que desde Setembro de 2023 não é utilizada para trabalhar e que não sei quando voltarei a usar. Mas algum dia terá que ser…

Tudo isto está há 5 meses à espera. À minha espera. À espera que eu lhes mexa. Há 2 dias trouxe tudo isto para a varanda. Menti a mim própria e convenci-me que estou preparada para isto. E percebo agora essa mentira que contei a mim mesma. Não estou preparada para isto…

Abrir estas caixas, encher estas bolas, confrontar-me com o “antes” e o “depois“. Antes e depois do diagnóstico. Aquele que eu faço de conta que já aceitei. Aquele que justifica tudo aquilo que me é difícil de fazer e que sempre dei por garantido. Aquele diagnóstico que me faz querer chorar de revolta e frustração. E que não consigo chorar…tão simples e tão complicado quanto isso: não consigo chorar…!

Diz-me a Neuropsicóloga que eu preciso muito de chorar. Percebeu isso nos meus olhos em 5 minutos de consulta quando a máscara, da qual não abdico, escondia a minha expressão.

Tenho medo de abrir estas caixas, de encher estas bolas. Por tudo o que representam e por tudo o que me fazem sentir. Da mesma forma que tenho medo de chorar

Diz-me a Neuropsicóloga que eu não consigo chorar porque estou, inconscientemente, a proteger-me e a bloquear o sofrimento que esse acto de chorar me irá trazer. E o mesmo se passa com a abertura destas caixas, o encher destas bolas. É auto-protecção. E medo. Muito medo.

Tenho medo de chorar. E, por muita vontade que tenha de chorar, não consigo fazê-lo.

Preciso de alguém fisicamente ao meu lado. Que me dê a mão e me garanta a segurança que preciso para conseguir soltar toda a revolta e toda a frustração

Isto que me apanhou na curva atingiu-me onde me dói mais: na minha confiança em mim mesma. Aquela que nunca tive muita mas que, mesmo não sendo muita, nunca me impediu de, pelo menos, tentar. Perceber até onde conseguia ir. E quando percebia que me faltava algo, voltava ao ponto de partida e seguia outro caminho. E neste momento não há sequer como voltar ao ponto de partida. Porque aquilo que sempre dei por garantido começa a fugir-me e não tenho como o recuperar…

Abrir estas caixas, encher estas bolas, aquele encontro comigo mesma numa nova realidade que não aceito. E, por não aceitar, acredito que consigo atingir objectivos irreais que proponho a mim mesma como sendo um acto de superação. Não consigo. O meu corpo não me permite alcançar essa superação que procuro. Essa superação que procuro e que, neste momento, já não sei onde encontrar.

5 meses de caixas à espera de serem abertas. Que não aceito que sejam abertas por mais ninguém. Serei eu a abri-las e a confrontar-me com a minha nova realidade que ninguém sabe nem imagina como me dói. Dói. Muito. E preciso de deixar sair essa dor. Dor composta por raiva. Revolta. Frustração. E mil perguntas sem resposta…!

PORQUÊ EU?!……não há resposta, dizem-me. E eu preciso de respostas! Preciso de respostas para passar do “Porquê eu?!” ao “Porque não eu?”!

5 meses…5 meses de um confronto com a realidade em 2 caixas por abrir e 3 bolas por encher! E, apesar de todas as dificuldades com que já me deparo, continuo a não conseguir abrir as caixas, continuo a não conseguir encher as bolas, continuo a não conseguir chorar

Chorar. Preciso muito de chorar. Mas o medo é do tamanho da necessidade que é enorme, imensa e o medo toma proporções de tal forma assustadoras que o meu inconsciente já sabe que vou sofrer e por isso bloqueia a minha capacidade de chorar. Mas eu preciso tanto de chorar

Não conseguirei fazê-lo sozinha. Não conseguirei desbloquear esta raiva, esta revolta, esta frustração. Não conseguirei fazê-lo sem ter ao meu lado alguém que me dê a mão, que me garanta segurança para quando eu me permitir ceder à dor da descarga emocional. Preciso de ter ao meu lado quem acredite que sou capaz de ultrapassar este bloqueio e que me possa agarrar quando cair. Porque eu sei que, nesse momento, vou cair. E tenho medo, muito medo!, de não ter força suficiente para me reerguer..,

Medo. Estes 5 meses de Janeiro a Junho, de caixas por abrir, de bolas por encher, são o sinal mais do que evidente do muito medo que sinto por não conseguir chorar…e só não vê quem não quer ver…

…e eu opto por continuar a fazer o que sei fazer melhor: continuo a fazer de conta…!

{#161.205.2025}

Começar o dia, feriado, com 2 horas de Yoga. Que me pareceram 20 minutos. Que, por mim, podiam ter sido 2 dias.

O resto do dia? Sem energia para nada. Hoje, que não esteve calor, estava perfeito para ir fazer aquilo que quero tanto há tanto tempo: ir caminhar no Parque à tarde. Mas energia? A zero, foi toda consumida de manhã.

Tenho que fazer uma gestão muito rigorosa da energia que vou tendo. Que, já se sabe, está longe, muito longe!, de chegar para tudo…

E tenho que reencontrar o meu caminho. Ia dizer que tenho que o reencaminhar rapidamente, mas depois lembrei-me que deixei de ter pressa seja para o que for. Porque tudo tem o seu tempo, o seu ritmo. Tudo acontece quando tiver que acontecer. Por isso, o meu caminho será reencontrado quando tiver que ser. Não tenho pressa.

E o Mundo lá fora continua a ser um lugar tão feio…cada vez tenho menos vontade de o enfrentar. Porque se está a construir um Mundo com base no Ódio. E eu sou pelo Amor.

{#160.206.2025} – parte II

Frustração? Também é isto! É querer escrever um postal. É querer escrever de forma legível um postal! É escrever o curto texto numa folha à parte para depois copiar para o postal e perceber a quase ilegibilidade do que escrevi. Letras que não foram escritas deturpando várias sílabas das poucas palavras escritas. Passar do rascunho para o postal e escrever devagar, com calma. Mas a caneta teima em voar da minha mão direita. Aquela que escreve, apressada ou calmamente, roubando letras ou criando novos hieróglifos para, eventualmente, serem traduzidos pelo destinatário.

…e entre a caneta que me voa dos dedos, a visão dupla em força a distorcer o que vejo à minha frente, a hiper-estimulação sensorial que tanto me incomoda, o calor que o meu corpo já não consegue regular…entre tudo isso, a frustração de já não ser quem era, de ter dificuldade em coisas tão básicas como escrever…! A frustração que me desperta a revolta, a zanga, tudo o que tenho cá dentro e que precisa de sair rapidamente…! Sim. A frustração também é isto…

…e também é querer esconder-me no abraço dele por um momento até me reencontrar e não posso porque a distância não o permite…

…também é querer, e precisar tanto de, chorar. E não conseguir. E diz-me a Neuropsicóloga que o trabalho de casa é começar a delinear esse processo que tem que acontecer muito em breve porque não me está a fazer nada bem não chorar…e também é a frustração de saber que não vai acontecer como eu gostaria, como me faria todo o sentido, como eu na realidade preciso tanto…

Sim, a frustração também é tudo isto. Mas também é tanto mais…

…e eu só queria, agora, o colo e o abraço dele para me reencontrar…e a frustração também é saber que não tenho comigo o colo e o abraço dele que preciso tanto…

{#160.206.2025} – parte I

O Mundo lá fora está um lugar muito feio. Eu ia dizer que está um lugar estranho, mas estranho sempre foi. Agora, e cada vez mais!, está um lugar feio. Muito feio. Demasiado feio!

Não me vou alongar sobre TUDO o que está a acontecer. Pelo Mundo inteiro! Não é só aqui ou ali. É em todo o lado. E incomoda-me. Muito! Porque, por detrás do que está a acontecer em todo o lado, existe um denominador comum: o ser humano. Que, em tantos casos, demasiados casos!, perdeu toda e qualquer humanidade que ainda poderia ter. E eu não entendo. Não entendo o porquê e muito menos aceito o que está a tornar o Mundo num lugar tão feio…

Sinto-me demasiado pequena no meio disto tudo. E, não pode ser mudar o Mundo lá fora, refugio-me no MEU Mundo cá dentro. No meu Jardim das Leguminosas, que eu teimo em querer chamar de Jardim das Buganvílias. O tal meu Jardim que não tem nem Leguminosas nem Buganvílias. Mas é o MEU Jardim. É o MEU refúgio. Onde as notícias do Mundo lá fora me chegam. Todas. E me fazem, cada vez mais, não querer sair daqui.

Digo que não entendo o que se passa no Mundo lá fora. Mas entendo. Até bem demais. E precisamente por entender, até bem demais, não quero largar o meu Jardim. Baptizado das Leguminosas quando eu queria Buganvílias e proliferam as Suculentas.

Seja. Se o Mundo lá fora me bater à porta é no MEU Jardim que mesmo vai encontrar. Mas a vontade é de lhe abrir a porta SÓ se trouxer boas notícias. Porque, como está, não o quero…

{#159.207.2025}

Sair de casa às 19h porque, ingenuamente, “já deve estar menos calor” era o que pensava… Não saí de casa no Sábado o dia todo por estar calor. Sabia que hoje estaria pior. Mas às 19h queria muito que já não estivesse tanto calor na rua. A vontade de sair de casa, dar uso às pernas, arejar as ideias, enfim, existir para lá destas quatro paredes…era praticamente obrigatório sair de casa! Mas o tal “já deve estar menos calor” às 19h foi completamente refutado pelo argumento da app de meteorologia que ditava 27 graus. E 27 graus é muito calor…!

Pelo menos para mim é. Ia para beber um café. Mas a minha mãe teve a ideia mais acertada: um gelado! Claro que sim! E hoje tinha que experimentar o Cornetto Perna de Pau. E posso dizer que foi uma escolha muito acertada! Porque um Perna de Pau é sempre bom. Mas aliado ao Cornetto? É só muito melhor do que isso!

A verdade é que ajudou, bastante!, a refrescar. A baixar a minha temperatura. Aquela que, à conta disto que me apanhou na curva, não consigo regular…

Voltar para casa às 21h com 24 graus lá fora. Ainda estava calor na rua. Pelo menos para mim. E voltar a baixar a minha temperatura depois de chegar a casa não foi nem fácil nem rápido…

Começo a achar que tenho que fazer um qualquer contrato de fornecimento directo de Cornetto Perna de Pau com a Olá para conseguir suportar o Verão que ainda nem sequer começou…

{#158.208.2025}

Sábado e depois de almoço estavam 26 graus lá fora. Dia perfeito para ficar em casa, claro. Escondida do calor, mesmo que estivessem “só” 26 graus. Não interessa. É demasiado para isto que me apanhou na curva e que se dá muito mal com o calor. Apanhar Sol para recarregar a Vitamina D? Era bom, mas só se as pernas estiverem à sombra. Por muito que goste muito de sentir o Sol na minha pele, as minhas pernas dizem que não. Porque o calor faz doer. Muito. As pernas doem com o calor, como doem com o frio e a meia estação já não é como era antes…

Ficar em casa também é sinónimo de estar a curtir uma mega dose de…fadiga! E fadiga não é o mesmo que cansaço. É pior! É mais pesado. Quase violento. No cansaço, uma pessoa pára, descansa um pouco e recupera. Normalmente acorda de manhã com a bateria recarregada. Na fadiga? Acordar com 75% de bateria já é muito bom, 100% é coisa que não acontece. E para descarregar essa bateria viciada e avariada não é preciso muito.

Quaisquer 90 minutos ao telefone com quem está do outro lado com as ferramentas certas para me ajudar e a bateria desce para uns 10% de energia. E não, não estou a exagerar. E também não exagero se disser que antes de segunda feira não reponho os níveis. Ainda hoje é Sábado, eu sei. Mas…com a previsão de 31 graus para amanhã? Não me apanham na rua mas também não me apanham nos 75% de energia. 65% e já é uma sorte para começar o dia…

Ela, a gata, claro que tinha que vir dormir no meu colo. E, já sei, não é só o calor do Sol que me faz doer as pernas. O peso e o calor dela também…

Agora? Passa das 19h e cheguei finalmente ao sofá! Por isso, com licença! Vou só ali e já volto…!

{#157.209.2025}

Mais uma voltinha, mais uma viagem!

Depois do fiasco que foram as consultas com o Psicólogo Sem Empatia, apresentei um pedido de mudança de profissional. E nem podia ter sido de outra forma. Maus profissionais existem em todo o lado, é verdade. Mas, quando temos a possibilidade de pedir para mudar, nada como aproveitar!

Fiz o pedido. Foi aceite e nem eu via outra opção. Agora, em vez de um Psicólogo Sem Empatia, tenho uma Neuropsicóloga que é um raio de luz no meio da tempestade e que, já percebi, me vai ajudar a chegar a bom porto.

Para primeira consulta correu muito bem. Não era suposto ter já trabalho de casa para fazer, mas ambas chegámos à conclusão que é preciso avançar já com alguma coisa.

Que eu preciso, muito!, de chorar, é mais do que sabido. Que eu tenho um bloqueio que não me deixa chorar, até ela já percebeu logo na primeira consulta. Que eu preciso de o conseguir rapidamente, ninguém duvida.

Falámos nas Rage Rooms Ou Sala da Raiva. Onde é possível descarregar tudo o que de negativo trazemos cá dentro. E se for para partir alguma coisa, ali seria o sítio certo para isso. Mas acho que não existe disso em Portugal. E devia.

O meu processo de descarga precisa de passar por barafustar. Muito. Será intenso? Claro que sim. E será muito físico também. E aí assusta-me um bocadinho. Mas faz-me todo o sentido.

Uma Rage Room era tão, mas tão perfeita… Mas, já sei, vai ser precisa a presença de alguém. Porque, no final, vou precisar, muito!, de um abraço. Apertado…

Foi a primeira consulta com a Neuropsicóloga. Mas, com ela, consigo ver-me neste processo. De descarga emocional, primeiro. De aceitação, depois.

Agora? É um dia de cada vez. E quem me acompanhar vai precisar de alguma paciência. Sendo que “alguma” significa “muita”. E eu? Vou precisar de força e coragem. E de um abraço apertado…

{#156.210.2025}

Faz hoje exactamente 2 anos, mais ou menos a esta hora (16h50), que decidi fazer uma coisa que raramente faço, embora desde essa data tenha feito mais vezes do que fazia antes: decidi publicar uma selfie e dizer Olá a quem estava, na altura, desse lado. Foram poucas, muito poucas, as respostas. Mas não procurava nenhuma resposta. Simplesmente me apeteceu dizer Olá. Estava aborrecida, de baixa desde o final de Abril e com vontade de conversar. Vai daí, saiu uma selfie e um Olá.

E foi aí que se abriu o caminho para reencontrar aquela metade de mim que eu não sabia que me faltava. Foi aí que ele, ao fim de nos cruzarmos aleatoriamente há 11 anos, deu o primeiro passo e me deu um Olá de volta.

Ao fim de 2 anos, 720 dias, não sei quantas horas porque não me apeteceu fazer as contas, é de mão dada que juntos seguimos caminho. Até porque ele, quando informado do que ainda era só uma suspeita e não já um diagnóstico fechado, me garantiu que o caminho seria feito pelos dois, sempre de mão dada e se o caminho se tornasse mesmo muito difícil ele levar-me-ia ao colo.

Ao fim de 2 anos que são 720 dias não sei se ele se apercebeu das tantas vezes que já me levou ao colo. Mas levou. Nos momentos mais difíceis nunca virou as costas nem me largou a mão. E, à nossa maneira, vamos fazendo o nosso caminho juntos.

Há condicionantes? Muitas. Mas se há um Tsunami no Mar da Caparica é por causa de um Terremoto com epicentro a 135km daqui.

Reconhecemo-nos rapidamente. De outros tempos, de outras vidas, não sei nem interessa. Sei, sim!, que encaixamos na perfeição como duas peças de Lego. Temos uma história que é nossa e que construímos à nossa maneira todos os dias sem esforço de tão natural que é. Tão simples que é. Tão pura que é.

É a nossa história. E que começou porque ela que sou eu decidiu dizer Olá a quem estava desse lado na altura e ele estava. No sítio certo à hora certa.

2 anos hoje. E parece que foi ontem. E tem sido sempre tão bom. E nestes 2 anos já tanta gente chegou, já outros tantos se foram embora, tanto para mim como para ele. Mas 720 dias depois, que são 2 anos, continuamos juntos. Sempre de mão dada. A construir a nossa história. Um dia de cada vez.

{#155.211.2025}

Fisioterapia de manhã, para começar o dia logo a dar tudo e sair de lá de rastos…

Yoga ao final da tarde, para dar o dia por terminado pouco depois e sair de lá de rastos…

Pelo meio, tentar recarregar um pouco a minha bateria interna que já começa o dia a 75%.

O que me chateia mesmo? É este meu hábito de fazer prolongar o tempo, esticar o dia e ir dormir bem mais tarde do que gostaria e do que me é recomendado…

Ainda não é hoje que vou dormir cedo…e já sei que, amanhã, esta coisa que me apanhou na curva me apresenta a factura. E, já se sabe, o meu corpo é que paga…

…e eu não aprendo nada com isto porquê? Até quando…?

{#154.212.2025}

Como sempre, um passo de cada vez, um dia de cada vez. Sem pressa. Sem pressão. Mas cada vez mais com muita vontade de me superar…!

A fisioterapia diária é absolutamente necessária para que eu não perca o básico: poder andar. Será com o apoio da bengala, claro que sim. Mas andar? Sempre. Faço questão de não parar. De não permitir que o meu corpo decida por mim.

O equilíbrio também é para ser muito trabalhado. Até porque caminhar está muito dependente do equilíbrio, claro. E esta manhã, na fisioterapia, depois dos exercícios de reforço muscular na marquesa foi altura de trabalhar o equilíbrio e introduzir exercícios neurológicos que trabalham o equilíbrio e o movimento consciente. E ao perceber que um dos exercícios estava a desafiar o meu equilíbrio e não estava a conseguir realizar o movimento com sucesso, parei, respirei fundo e disse ao Zé, o meu fisioterapeuta: “vou repetir. Vou tentar novamente. Porque quem manda no meu equilíbrio sou eu!”

Respirei fundo. Endireitei as costas. Cabeça erguida. E repeti. Com sucesso!

E é assim que quero que continue a ser! Mesmo que as minhas pernas me digam que não. Mesmo que o meu equilíbrio me faça tremer, me abane. Mesmo que tudo esteja contra mim! Quem manda no meu equilíbrio sou eu! E hei de encontrar sempre o movimento certo para concretizar o que me proponho!

…nem aceito que seja de outra forma! Mesmo que seja um passo de cada vez. Um dia de cada vez. Sem pressa. Sem pressão. Ou, talvez, precisamente por isso!

{#153.213.2025}

Se eu sou uma miúda de sorte? Cada vez tenho mais a certeza que sou, nem que seja só pelas pessoas que me são. Que me são aqueles amigos com um A maior do que maiúsculo, porque ser apenas um A maiúsculo não é suficiente.

Sou também uma miúda com imensos Pedros na minha vida. Nunca pensei que fosse possível ter tantos, mas tenho! E desde há minutos tenho mais um! Acabado de chegar. Acabado de nascer! Um Pedro filho de um daqueles Amigos que falei acima, com um A maior do que maiúsculo porque só maiúsculo não é suficiente!

Tinha ficado combinado com o pai que quando o Pedro chegasse bastava uma mensagem a dizer que chegou. Não queria nem fazia questão de um telefonema. Sei que este momento é especial e há muita gente para avisar. A mim bastava-me uma simples mensagem. Mas há poucos minutos o telemóvel tocou…

Quando vi quem me ligava, soube no momento o que era. E atendi a dizer “vais-me dizer que nasceu!”. E disse-o! Tinha nascido há poucos minutos! Um Pedro grande! Pesado! Perfeito! E que se vai juntar à minha enorme lista de Pedros na minha vida. E sobrinhos do coração!

O pai ainda estava a tremer, com um sorriso enorme na voz. Quando lhe disse que não era preciso ter ligado, simplesmente me disse “Liguei porque tu mereces!” E eu fiquei tão feliz pela chegada de mais um Pedro como o pai sabia que eu ia ficar! Esse pai que todos os dias me ligava depois do trabalho, em 2017, quando sabia tão bem que eu estava tudo menos bem. Não me falhou um dia durante tantos meses que lhes perdi a conta!

Recordo que, na altura, todas as noites se cruzava com uma raposinha e que falávamos sobre ela. Agora, já não há raposinha. Mas há um novo Pedro. E iremos sempre falar sobre o Pedro e eu, tia babada!, faço questão de o acompanhar mesmo que à distância de 250km.

Bem-vindo, Pedro! E um beijo enorme ao pai e à mãe! E que sejam MUITO felizes os 3! E eu cá estarei para te acompanhar! Sempre!

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Conversar. Falar abertamente. Colocar questões. Tirar dúvidas. Ouvir. Ainda sou das pessoas que dá valor a tudo isto. Seja em que contexto for. E fico feliz por saber que, como hoje, é possível pôr tudo isto em prática.

Acredito que é a conversar que conseguimos crescer. Limpam-se as nuvens que nos podem desorientar. E seguimos em passo mais firme e seguro.

E tem sido um crescimento bonito. Sem pressa. Mas com vontade. E com certeza. E segurança.

Agora é continuar assim. E, sem tabus, conversar. Sempre.