Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#316.051.2024}

Já decidi, há muitos anos!, que quando crescer quero ser uma árvore. Mas não uma árvore qualquer. Posso até ser retorcida, não demasiado alta ou de tronco largo. Não é isso que me interessa. Interessa-me, sim, ser uma árvore diferente. Porque diferente já sou, nunca poderia ser mais uma árvore igual às outras.

Mas quero ser uma árvore. Diferente. Única. E posso até estar, como já estou, na realidade, sozinha num qualquer lugar. De maior ou menor destaque, não interessa. E tão pouco me importa se estou em lugar de passagem onde, de vez em quando, alguém pare para me olhar. E realmente ver.

O que eu quero é ser uma árvore quando crescer. Seja lá isso quando ou como for. Não quero saber. O que quero mesmo é ser uma árvore. Como ela. Que via diariamente quando saía do autocarro depois do trabalho naquela paragem onde, agora, só muito raramente saio. Mas, sempre que saía do autocarro e passava por ela, parava sempre. Todos os dias depois do trabalho tirava aqueles breves momentos para olhá-la. E vê-la.

Muitos anos antes de a ver pela primeira vez já tinha decidido que quero ser uma árvore quando crescer. E quando a conheci, reconheci-me nela… Sozinha, isolada, morta, mas de pé!

Quando crescer quero ser uma árvore. Como ela. E continuar a fazer o que já faço: ser diferente, estar sozinha, já morta tantas vezes embora renascida. E sempre de pé!

É à noite que os ecos na minha cabeça fazem mais barulho. E hoje estão particularmente barulhentos. Talvez, mas só talvez, quando for uma árvore já não os oiça. Mas, mesmo depois de morta, irei manter-me como ela: diferente, sozinha, mas de pé!

{#315.052.2024}

Gosto de livros. Em papel. Os digitais não me seduzem minimamente. Falta-lhes o toque. A textura. Até o cheiro!
E gosto (muito) de livros em 2• mão. Em feiras de velharias a única coisa que me interessa são os livros (e os botões, vá, mas isso são outros 500) e na já extinta Feira da Chincha em Cacilhas fiz belíssimas aquisições de livros em 2• mão. 1984, por exemplo, foi uma delas.

Hoje não fui a nenhuma feira de velharias nem a nenhum alfarrabista. Não sei se fui eu que encontrei Vitorino Nemésio sozinho ali em cima de uma caixa de electricidade ou se foi ele que, sabendo que eu ia passar por ali, ficou à minha espera. Bem, na verdade o Universo deve ter alguma coisa a haver com isso, porque na realidade eu ia fazer o meu caminho no passeio oposto, mas ao passar junto à passadeira que nem era suposto atravessar um rapaz no seu carro acelerado travou bruscamente e fez-me sinal para passar. Agradeci e atravessei a estrada. Afinal, o passeio oposto por onde eu tinha pensado ir ia dar exactamente ao mesmo sítio, só tendo que usar a passadeira mais à frente.

Atravessei conforme o jovem condutor me fez sinal para fazer e, poucos, muito poucos passos mais à frente, lá estava a caixa de electricidade e Vitorino Nemésio à minha espera.

“Limite de Idade”, assim se chama o livro. Uma edição da Editorial Estúdios Cor. Ainda não consegui perceber de que ano é esta edição, sei que a primeira foi em 1972. E esta, que de acordo com o carimbo que consta no interior foi oferta, não deve andar muito longe de 1972.

É um livro de poesia. E, pelo que já li pelo Google, dedica-se, mas não exclusivamente, ao humor negro. Tem tudo para ser bom, portanto!

E, pelo que já folheei, a minha visão dupla quase constante, não vai atrapalhar a leitura. Por isso, este encontro inesperado, veio na hora certa para me iluminar os dias. E, sendo um livro de poesia, é para ir lendo. Sem pressa. Exactamente naquele registo em que me encontro agora: sem pressa.

Aquela travagem brusca daquele jovem condutor junto à passadeira que eu nem ia atravessar, afinal, trouxe alguma coisa boa. E, mesmo não fazendo ideia de quem era o condutor, só lhe tenho a repetir o que lhe disse antes: obrigada!

{#314.053.2024}

Entesopatia no joelho esquerdo? Check ✔️

E o que é a Entesopatia? Bem…vamos decompor a palavra para percebermos melhor.

Ora então, diz-nos o Priberam:

  • patia

elemento de composição

  1. Exprime a noção de doença ou sofrimento (ex.: frenopatia; psicopatia).

Ou seja, o sufixo patia sugere-nos que se trata de uma doença. Já o início da palavra, ENTESO, sugere o óbvio! Uma Entesopatia é uma doença dos TESOS! Daqueles que, de cada vez que vão à farmácia, ficam ainda mais tesos! A contar os tostões todos. Ou os cêntimos, vá! Já não se usam tostões.

Portanto, confirmo: depois do Burnout no ano passado, do diagnóstico que me apanhou na curva no início deste ano, da falta de equilíbrio a caminhar, só me faltava mesmo agora andar coxa do joelho esquerdo por, sabe-se lá como!, ter a doença dos tesos! Se algum dia me encontrarem no Metro com uma latinha, não se esqueçam de deixar uma moedinha. Obrigada desde já!

[Agora falando mais a sério, uma Entesopatia é uma inflamação daquilo que liga os tendões aos ligamentos ou aos ossos, já não sei nem me apetece ir procurar outra vez. O que sei é que dói para caracinhas. O que não sei é como é que isto apareceu. Tratamento? Gelo, Diclofenac (vulgo Voltaren) em pomada e repouso. O que, sendo num joelho e ter que trabalhar a marcha e o equilíbrio na fisioterapia é para rir. Mas também sempre ouvi dizer que mais vale rir que chorar! E, seja como for, ando há praticamente 2 anos a dizer que não consigo chorar, por isso siga! É rir para não enlouquecer, pronto!]

{#313.054.2024}

Esta tarde o telefone tocou. Era aquela chamada que nunca sabemos, tirando as datas de aniversário, quando vai acontecer, mas que realmente acontece.

“Quero saber de ti, o que é que se passa contigo?”

Esta é uma daquelas amizades que existem há mais de 20 anos, que começou a nível profissional com ela a ensinar e eu a aprender. E posso dizer que muito do que sei hoje (se não praticamente tudo) a nível de seguro automóvel o devo a ela. E, arrisco dizer, o clique entre as duas foi imediato.

Entretanto, cada uma seguiu o seu rumo profissional e o seu caminho. Mas, mais uma vez, as redes sociais nos trouxeram de volta, embora nunca se tenha perdido totalmente o contacto.

Não é daqueles telefonemas que acontecem todos os dias, todas as semanas ou todos os meses. Nem tem que ser para que a amizade, carinho e preocupação que temos uma pela outra se mantenha firme. Houvessem mais amizades assim…

A pergunta bateu cá dentro. Falámos sobre como estou, sobre o que se passa comigo. Como se ela não soubesse, como se ela não lesse o que escrevo.

E fica uma pergunta no ar: “mas porquê?“. Seguida de uma afirmação “não consigo compreender…!”.

Nem eu, Fernanda. Nem eu. Mas a verdade é que a Fernanda, e não seria de esperar outra coisa vinda de si, foi a única a fazer aquilo que mais ninguém faz: ligou e quis saber. O que se passa comigo. Como estou. Porque é que está a acontecer comigo aquilo que nenhuma de nós entende.

E ficou a pergunta no ar: custa assim tanto enviar uma mensagem que demora 30 segundos a ser enviada?

Quem souber que responda. Mas não me venham, mais uma vez, com promessas que nunca se quiseram cumprir nem dizer coisas só por dizer. “Havemos de ir beber café” é uma dessas coisas. Quando começa com “havemos de“, já sei que não irá acontecer. É dizer por dizer. Para ficar bem na fotografia? Não sei.

Mas, lá está: não sei, Fernanda. E também eu não entendo, mesmo que todos os dias pergunte “porquê?“… Acho que nunca saberemos a resposta a isso.

E à outra questão também não devemos ter resposta: “custa assim tanto enviar uma mensagem que demora 30 segundos a enviar?”

E, se não souberem sequer o que dizer, podem sempre começar com um simples “Olá.” Dizem que não custa nada. E faz bem. Aos dois lados…

{#312.055.2024}

Há muito tempo que deixei de fazer planos. Já sei que acaba sempre por acontecer alguma coisa que impede que os planos se realizem. Mas não deixo de programar coisas. E, depois do dia fisicamente puxado de ontem, com fisioterapia de manhã cedo e Yoga ao final do dia, novamente fisioterapia hoje cedo, só havia um programa possível para a tarde: sofásana, aquela postura de Yoga que, na verdade, não existe mas que eu tenho adoptado como a minha favorita. Para ajudar, tinha recomendações da fisioterapia: gelo no joelho e almofada térmica quentinha na lombar. Assim um misto de frio e quente estranho, mas necessário.

Depois do almoço ainda tive energia para vir ao Jardim da Depressão beber um café, fumar um cigarro e pisgar-me daqui para o sofá. E, ao chegar ao sofá, quase não tive tempo de pôr o gelo no joelho e a almofada na lombar. E, se bem me lembro (mas não garanto), nem cheguei a pôr os óculos para ler as legendas na televisão. Foi kaput imediato.

Mas antes de tudo isso ainda consegui comentar uma publicação de uma rapariga escocesa, doente crónica e no espectro do autismo, que publicou um poema com o qual eu me identifiquei na totalidade. E, em resposta ao meu comentário, chegaram-me respostas a assegurar-me aquilo que os meus amigos não me asseguram: que não estou sozinha! Porque existe uma enorme comunidade online de doentes crónicos, com Esclerose Múltipla como eu ou não, que se apoiam mutuamente. Porque se entendem uns aos outros. Porque se ACEITAM uns aos outros, tal como estão e TODOS se recordam que são MUITO MAIS do que a doença que carregam.

Curiosamente (ou não…), tem sido nessa comunidade online espalhada pelos quatro cantos do Mundo e composta por pessoas que eu NÃO CONHEÇO que tenho encontrado mais apoio. Raramente interajo com as publicações, mas reconheço-me em cada dificuldade, cada dor, cada cansaço extremo, cada partilha, cada palavra.

Como não ter nas redes sociais o garante da minha saúde mental se é nas redes sociais que ENCONTRO apoio? E esse apoio pode ser um simples post, uma simples resposta a um comentário, mesmo que seja a dizer-me que também passaram pelo afastamento e abandono dos amigos e que a responsabilidade não é nossa

{#311.056.2024}

A melhor forma de apaziguar os meus monstros e os meus demónios que me acompanham diariamente e se fazem mais presentes à noite assumindo o papel de vozes negativas e intrusivas a ecoar na minha cabeça é, sem dúvida, moer o corpo…

Fisioterapia de certa forma intensa logo de manhã, um início de tarde estranho e cansativo, uma caminhada inesperada e feita a muito custo porque um autocarro não apareceu seguida de uma aula de Yoga que, como acontece sempre, foi desafiante.

Dói-me o corpo, especialmente as pernas. E o joelho que piora todos os dias. Mas esta noite não há ecos na minha cabeça.

E soube muito bem terem-me dito “fazes bem em manter uma espécie de diário digital, ajuda-te”. E sim, o escrever no éter, especialmente no blog e, mais recentemente, no Instagram, é a minha ferramenta terapêutica de eleição. O que escrevo pode até nem interessar a ninguém. Mas é o meu momento de reflexão e, tantas vezes, o meu momento de catarse.

Por isso, sim!, irei continuar a fazê-lo.

{#310.057.2024}

De que me serve um psicólogo que se ri de escárnio quando lhe digo que as redes sociais têm sido o garante da minha saúde mental quando estou mal?

De que me serve um psicólogo em que as consultas acontecem com intervalos de mês e meio quando eu preciso de ajuda para ontem e de forma mais regular e menos espaçada?

De que me serve um psicólogo que dá consultas de 30 minutos em que eu posso falar durante 10 minutos e mesmo assim ele não ouve, ou não quer ouvir!, o que lhe digo e os restantes 20 minutos são para preencher testes de avaliação solicitados pelo psiquiatra que entretanto se ausentou do Hospital com regresso previsto para daqui a dois anos e não me deixou com substituto atribuído?

De que me serve um psicólogo que, ao me receber na consulta estando eu de máscara onde só o meu olhar está disponível, não consegue ver o que, na véspera!, e nas mesmas circunstâncias, ou seja de máscara!, até o neurologista percebe e diz, do nada, “essa depressão não vai muito bem, pois não?”.

De que me serve esta ajuda que não ajuda em absolutamente nada?!

Há uns anos, um até então chamado amigo que entretanto deixou de me falar sabe Deus porquê, criticou a minha forma de estar nas redes sociais. Que me expunha demasiado. Especialmente nos meus momentos maus. Como agora. Chegou a dizer-me que eu escrevia demais. E eu respondi, publiquei e agora repito: não se preocupem se escrevo “demais”. Preocupem-se no dia em que deixar de escrever!

É que, enquanto escrevo, é sinal que ainda tenho forças para pedir ajuda. E, ao expôr dentro do limite que eu mesma traço!, é isso que estou a fazer: a pedir ajuda! A tentar não me perder. Não me afogar naquelas lágrimas que teimam em não cair mas que me sufocam!

Alternativa a este psicólogo? Já estou a procurar opções. E a falta imensa que me faz o terapeuta fofinho nestas horas!

A depressão, claro, está confortavelmente instalada e em franco crescimento. E eu já cá estive antes e não gostei.

E o meu céu continua escuro. Cada vez mais escuro. E a solidão é um bicho que rói e corrói por dentro e, ao mesmo tempo, tem um peso insuportável.

Falta-me a luz-guia para eu reencontrar o meu caminho de volta. E durante 8 anos essa luz-guia foi o terapeuta fofinho. Que já não me acompanha. E que tanta falta me faz…

Amanhã? Continuo a fazer de conta que está tudo bem quando for para a fisioterapia de manhã e para o Yoga ao final do dia. Afinal, se sou boa em alguma coisa é em fazer de conta

{#309.058.2024}

Das coisas que eu teimo em não aprender a fazer: ser mais gentil e positiva COMIGO MESMA!

Na semana passada liguei à Maria, que tinha feito 76 anos uns dias antes e que eu, que só sei datas de aniversário por causa do Facebook e não me lembro quando foi a última vez que lá fui, deixei passar. Dei por mim a puxar por ela, a animá-la, e a ouvir da boca dela “eu gostava tanto de ser tão positiva como a Catarina”. E eu, que pensava mas não dizia, repetia na minha cabeça “mas eu não sou nada positiva“.

Há umas semanas, comecei a conversar com uma pessoa no Instagram, que vive na Índia e que só hoje soube que não tem sequer 30 anos e cujo nome ainda nem sei. Uma miúda, portanto! Ela foi apanhada na curva pela mesma coisa que eu. Mas o que me levou a comentar uma publicação dela foram os ataques de pânico que ela também tem. Com 30 anos de experiência em ataques de pânico e crises de ansiedade dei-lhe o meu exemplo de que é possível sobreviver e até ultrapassar os ataques de pânico.

A partir daí, temos conversado. Contei-lhe as minhas experiências mais marcantes e que superei com mestria no que diz respeito aos ataques de pânico e dei-lhe algumas dicas de como os enfrentar para poder superar.
Hoje falámos de trabalho. O meu que é óptimo para fritar a pipoca e o dela que, na Índia rural, é assustador.
No final da longa conversa de hoje agradeceu-me. Pelas “kind words“, por ser uma “beautiful soul” e por ser “so full of positivity“.

Não sei se sou tudo isso que ela me disse…

Comentei esta conversa com a minha mãe, que também assistiu à conversa que tive com a Maria. E no final, diz-me: “já viste que tu és assim com toda a gente, puxas por todos, és positiva nos problemas dos outros…fazes isso por toda a gente menos por TI?”

O pior é que, como sempre, a minha mãe, que me conhece melhor do que ninguém incluindo eu própria, tem razão. Tem TODA a razão.

Sou gentil e positiva com todos, para todos. Menos comigo. Menos para mim.

Como é que se muda esse chip? Não faço ideia. Só sei que é fácil para qualquer pessoa lidar comigo. Menos para mim. Tenho dito várias vezes que não é fácil ser eu. E não é. E ser positiva e gentil comigo mesma não acontece…e devia!

Este canto da varanda, onde se encontra o meu cadeirão, foi há uns largos meses baptizado, meio a brincar, de Jardim das Leguminosas. Ambos, eu e ele, sabemos que o que ali se encontra não são Leguminosas mas sim Suculentas. Na altura, rimo-nos os dois com a gafe, mas o nome ficou.

De há umas semanas para cá eu, na minha cabeça, chamo-lhe muitas vezes Jardim das Buganvílias, sabendo que seria sempre impossível ter um jardim desses no interior de uma varanda fechada, mas que é o meu sonho.

O cadeirão no Jardim das Leguminosas é onde passo o dia todo, excepto quando adormeço no sofá. São tantas as horas que aqui passo que já pondero em rebaptizar o Jardim. Tem todas as condições para se chamar Jardim da Depressão. Porque é aqui que a sinto tomar conta de mim e com cada vez mais força. E, por mais que peça ajuda, não a tenho.

Aqui neste canto a única coisa que vive realmente são as Suculentas de quem a minha mãe trata todos os dias. Porque eu, como a foto, estou cada vez mais esbatida e a perder a cor e o brilho. E os riscos na foto não são os riscos no corpo…ainda.

É impressionante o silêncio que se ouve quando eu digo “não me sinto bem, preciso de ajuda”. Porque é isso que se ouve cá em casa: silêncio. Ensurdecedor

Hoje li num cartoon:
Como é que se reconhece um verdadeiro amigo?“, perguntou a Raposa.
Espera pela escuridão“, respondeu a Lua, “e vê qual é a Estrela que ainda brilha.”

O meu céu está absolutamente escuro. A única Estrela que ainda brilha é ele, mas ele está tão longe. De resto…o meu céu está absolutamente escuro.

…e só não reconhece um pedido de ajuda quem não quer…

É nestas alturas que faz falta à minha mãe ter um telemóvel. Porque, já que aparenta não me ouvir, podia ser que me lesse

{#308.059.2024}

É preciso desmistificar o poder do café. Ou será que, a partir de um determinado número de cafés bebidos ao longo da vida, já não funciona? Já não dá aquele kick para me manter acordada? Ou apenas mais desperta? Com um bocadinho mais de energia para, sequer, dar um passo?

É que, por aqui, beber café ou beber água tem exactamente o mesmo efeito: hidrata mas não dá mais energia.

Depois lembro-me daquela coisa que me apanhou na curva, cujo nome me recuso a verbalizar oralmente ou por escrito, não por vergonha mas apenas porque ainda não a aceitei…e com essa coisa vem a fadiga. Incapacitante? Tem sido.

Por isso, desmistifique-se o poder do café. Porque, pelo menos comigo, já não funciona.

E se eu queria estar neste estado incapaz de fazer grande coisa durante o dia? Não, não queria. Nem quero! E por favor, alguém com mais experiência nisto que me diga como voltar a ter um bocadinho mais de energia, por favor! Porque eu não aguento isto…muito menos sei o que posso (ou não) fazer…

{#307.060.2024}

Hoje? Não posso dizer que estou cansada. Porque, na verdade, é muito mais do que apenas cansada. Nem posso dizer que estou muito cansada. Porque, na verdade, estou exausta. Completamente esgotada.

Ontem fui dormir muito tarde, é verdade. Não me lembro se foi às 2h da manhã ou às 3h da manhã. Só sei que foi demasiado tarde. E também sei que me esqueço destas coisas simples que, é certo, não são muito importantes. Mas são simplesmente apagadas da minha memória com imensa facilidade, o que não devia acontecer. Não a esta velocidade…

Seja lá a que horas for que eu tenha ido dormir, a verdade é que acordei às 9h da manhã. Para nada. Não havia nada programado para hoje. Mas, já percebi, tenho um novo despertador. Mas este não dá para acertar a hora do alarme. É ele próprio que decide a que horas preciso mesmo de acordar. É um despertador biológico que tanto me deixa dormir até ao meio dia como me acorda cedo ou, na pior das hipóteses, a meio da noite. Até quando adormeço no sofá é este despertador que, tantas vezes, me acorda. É a minha bexiga! Que enche demais e me faz acordar. Ou que eu não consigo esvaziar na totalidade, também acontece. E funcionar já é muito bom. Dia 1 de Junho, mais uma voltinha às urgências do Hospital porque não quis funcionar. E, ao fim de 14 horas sem funcionar, na Linha SNS24 recomendaram, e bem!, uma passagem nas urgências. E assim foi.

Felizmente esse episódio, até à data, não se repetiu na totalidade, mas a dificuldade em esvaziar a bexiga existe, está cá. E, às vezes, é realmente complicado esvaziar na totalidade. Por isso é que me acorda tantas vezes a meio da noite ou, como hoje, demasiado cedo depois de ir dormir demasiado tarde.

A verdade é que, ainda antes do almoço, arrisquei ir sozinha à rua, tentar (re)conquistar um pouco mais de autonomia. E já a essa hora me sentia exausta. De quê? Para variar, de nada

Voltei para casa 300 e poucos metros depois, completamente exausta, absolutamente esgotada. Porque, dizer apenas que estou cansada ou até mesmo muito cansada, não é suficiente.

Acabei, obviamente, por adormecer no sofá. Mais tarde do que gostaria. E, mais uma vez, as horas não são claras…passava pouco das 16h? Ou já passava largamente das 17h? Não sei. Que já passava das 16h eu sei porque foi quando ele iniciou o serviço hoje e ainda conversámos. Muito tempo? Pouco tempo? Não faço ideia. Não me lembro… A única coisa que sei, porque assim mo disseram, foi que adormeci com o telemóvel em cima da barriga. Muito provavelmente à espera de nova mensagem dele

Fui acordada para jantar já depois das 20h. Mas a sensação de não ter um mínimo de energia continua…

Já sei que esta estupidez de cansaço é a tão falada fadiga, mais um sintoma clínico e claro desta coisa que me apanhou na curva. Tenho que aprender a gerir a minha energia… Ontem de manhã, foi dia de Yoga, portanto o ideal teria sido descansar à tarde. E não me lembro se o fiz… Lembro-me, claro, que, já tarde, me dediquei à escrita. Longa. Demorada. Isto depois de o acompanhar até terminar o turno à meia noite. Portanto, aqui está tudo errado: gastar energia de manhã sem recuperar à tarde e esgotar a restante à noite? Só podia resultar num dia de hoje como resultou…

Tudo isto faz parte desta coisa que me apanhou na curva e que eu ainda estou a conhecer. Ainda estou na fase do querer fazer tanta coisa e não conseguir fazer nada porque não soube gerir a minha energia. Nem sei, sequer, se é possível fazer essa gestão. O que sei é que o meu corpo é que manda agora! Seja para me acordar a meio da noite ou de manhã cedo com a bexiga cheia ou seja para me obrigar a parar e a recuperar energias.

Tudo isto é, ainda, novo para mim. E eu ainda não aprendi, nem aceitei!, a dizer “não posso/não consigo“… Porque essa não sou eu. Ou, nesta nova vida que agora enfrento e é a minha nova realidade, essa não era eu.

Não está a ser fácil lidar com tudo isto. Gerir tudo isto. Felizmente, para além da minha mãe, tenho-o a ele que caminha comigo, ao meu lado, do meu lado, sempre de mão dada comigo. Desde o primeiro dia. Ele não sabe, mas já me tem trazido ao colo várias vezes. Tal como me disse que faria se/quando o caminho se tornasse mais difícil…

Agora está mais do que na hora de dar o dia por terminado. Não aguento muito mais acordada. E para amanhã há planos. Convém descansar. Não vou conseguir fazer-lhe companhia até ao final do turno. Mas, já sei, acabaremos sempre por enroscar, com os dedos dele no meu cabelo e uma mão a percorrer-me as costas. Até eu adormecer.

{#306.061.2024}

Sábado e o regresso a alguma normalidade na rotina. Dia 21 de Setembro, Sábado, foi a última aula de Yoga antes da infusão do medicamento pelo qual tinha esperado tanto tempo e que, depois de o receber, me deixou completamente sem sistema imunitário e me levou a uma bolha de auto-isolamento nos primeiros 15 dias, em que pouco saí de casa.

Veio Outubro e o isolamento ainda era necessário, o período mais crítico ainda decorria e tanto a enfermeira como o médico me disseram para esperar mais um pouco, evitar locais com muita gente, centros de saúde, hospitais, centros comerciais, transportes públicos e máscara sempre quando em contacto com os outros.

Adiei o regresso à Fisioterapia que não faço desde Agosto e tanta falta me está a fazer para trabalhar o equilíbrio. Segui o conselho do neurologista: “nem pense em desistir do Yoga!”. Não desisti mas, claro, adiei. Até hoje!

Dei por mim ontem à noite a arrumar as coisas para levar para a aula e a roupa para vestir e não me lembrava onde estavam…eu sei que esta coisa que me apanhou na curva também compromete o funcionamento cognitivo e esquecer alguma coisa faz parte. Mas fez-me alguma confusão ontem à noite não me lembrar do básico que tinha que preparar. Mas também é verdade que, também ontem ao final do dia, não me lembrava de nada do que fiz durante a semana…e mesmo agora que penso nisso há coisas que simplesmente me estão em branco. E não gosto de sentir isso…

Mas hoje foi o dia tão esperado do regresso! E soube tão bem! Não só pela aula em si que me veio confirmar que um mês parada não me fez bem nenhum fisicamente, mas também pela recepção das minhas colegas. Sorrisos de boas vindas quando me viam, abraços, beijinhos enviados pelo ar porque uma delas estava constipada e, mesmo eu estando de máscara, uma constipação não é nada bem vinda.

Depois da aula, boleia de regresso a casa, como sempre. Mas hoje não com a boleia do costume. Hoje com o Professor Pedro que, desde o início disto tudo, tem sido um enorme apoio. Ao chegarmos junto à esplanada do costume disse-lhe que ia ficar por aí porque ainda ia beber um café antes de voltar para casa. “Então vou beber um café contigo!” E foi.

Conversámos. Sobre esta coisa que me apanhou na curva, sobre as aulas e a forma como ele planeia cada aula e que raramente cumpre na totalidade porque deixa a energia fluir e faz os ajustes necessários na altura. Resumindo, tive aquilo que há tanto tempo precisava: uma conversa normal.

E nesta manhã percebi: afinal, até existo! Para um grupo restrito. Que ficou honestamente contente por me receber de volta. Que me acolheu tão bem.

Nenhum deles conseguiu ver o meu sorriso por baixo da máscara à chegada, mas ele estava cá. O Professor Pedro ainda teve oportunidade de o ver quando tirei a máscara na esplanada.

Nenhum deles, desde o Professor Pedro a qualquer uma das minhas colegas, tem a noção do quanto esta manhã me foi tão importante e do bem que me fez.

Voltei para casa com outro ânimo, claro. Moída e com o sono habitual. Mas mais leve. Porque, afinal, existo! E pertenço! Pertenço a um grupo que me recebeu bem em Maio do ano passado quando iniciei esta viagem no Yoga com este Professor. E que, com o passar do tempo, me viram a abrir cada vez mais para o grupo e que, com a evolução desta coisa que me apanhou na curva, souberam acolher-me sempre prontas a ajudar com coisas tão pequenas como “deixa que eu levo!”, fosse o tapete ou a mochila. Para elas, o importante sempre foi ajudar nas mínimas coisas. Sempre lhes agradeci, claro que sim. Mas elas não fazem ideia do quanto lhes sou grata por tudo. E ao Professor Pedro também. Psicólogo de formação, sabe ouvir de outra forma.

Foi uma manhã muito boa. Foi uma manhã muito feliz. Já tinha saudades desta rotina de Sábado de manhã e quinta feira ao final do dia. Só tenho pena de não ser possível haver mais aulas durante a semana. Mas tenho exercícios para fazer em casa indicados pelo Professor Pedro e que, sei, me vão ajudar com o equilíbrio. Só tenho que deixar de ser preguiçosa e começar a mexer-me em casa! Manter as caminhadas para fortalecer as pernas, trabalhar a marcha e o equilíbrio no parque e, de volta a casa, fazer o que foi indicado para, em simultâneo, fortalecer as pernas, alongar o corpo e trabalhar o equilíbrio.

Claro que, à tarde, quando fiquei sozinha em casa, não aguentei e sucumbi ao óbvio: o sono! Assim que me deitei no sofá, com as mantas e a almofada térmica quentinha, ainda tentei manter a conversa com ele. Mas adormeci instantaneamente.

Agora? A noite já roça a madrugada, mas a cama ainda está longe. Porque na minha cabeça está em loop a conversa desta noite com ele. Sobre o facto de eu ser DAS letras, não necessariamente DE Letras, e de ter percebido hoje que escrever, principalmente no éter, é uma espécie de caminho para a imortalidade. Porque “Uma vez na Net, para sempre na Net”. E, lá mais para a frente no tempo, e até já acontece hoje em dia, alguém vai dar um desses tropeções na Internet e acabará, sabe-se lá como ou porquê, vir aqui parar. Como quem me lê na Suécia. E eu não conheço ninguém na Suécia. E vai ficar a saber que por aqui passou alguém que viveu, sofreu, chorou, deu a volta por cima, recuperou, mas que acima de tudo se permitiu sentir. E nunca teve qualquer receio em deixar registado tudo o que sentiu, bom ou mau.

Foi uma conversa com ele com um enorme poder de introspecção. Acho que nem ele se apercebeu disso. Mas a mim deixou-me com a conversa em loop na minha cabeça. Porque eu sempre fui de escrever. Sempre gostei de o fazer, mas não de escrever histórias inventadas. Não. O meu registo de escrita é um registo muito de “Diário“. Que, pelo menos nestes últimos 10 anos, começou como um desafio num momento muito mau e em que eu precisava de reagir. E, de facto, esse desafio que era para durar 100 dias e que eu sempre duvidei que fosse sequer conseguir chegar ao décimo dia, tornou-se uma importante ferramenta terapêutica que me ajudou a superar os piores dos piores dos piores dias que já passei e, afinal, já são mais de 10 anos de escrita diária sem excepção.

A conversa com ele continua aqui em loop na minha cabeça. E, já sei, irá manter-se durante algum tempo. Porque as palavras dele, que também me lê, me fizeram encaixar algumas coisas que já me têm dito sobre o que escrevo. Todas no mesmo sentido das palavras dele. Mas hoje encaixaram de outra forma. E tocaram cá dentro pela primeira vez…

Mas a madrugada insiste em chegar. Está frio. Estou cansada. Moída. Embora com a cabeça a mil e a querer continuar a escrever sobre sabe-se lá o quê agora, os olhos começam a pesar. Por isso, por hoje não vou continuar. Também não há muito mais para dizer sobre hoje. Mas aquela conversa com ele sobre a minha escrita…

Amanhã. Amanhã é outro dia. Agora é preciso descansar. Aquecer. E dormir. Enroscar-me nele, mesmo que ele esteja e não aqui. Não interessa. E depois amanhã logo se vê. Por hoje posso dizer: hoje foi um dia muito feliz.

{#305.062.2024}

Diz o Priberam:

saudade

|au|ou|a-u|

(sau·da·de)


nome feminino

1. Lembrança grata de pessoa ausente, de um momento passado, ou de alguma coisa de que alguém se vê privado.

2. Pesar, mágoa que essa privação causa.

“saudade”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/saudade.

(…)

Não houve mágoa. Talvez algum pesar. Decididamente houve uma lembrança grata de pessoa ausente: ele.

Na realidade, não tão ausente assim, apenas mais indisponível. E apenas hoje. Amanhã estará disponível novamente à distância de um clique, como está sempre desde o primeiro dia. É verdade que há dias menos disponíveis, como o dia de hoje.
E depois há aquilo que o Priberam define lá em cima: saudade.

Porque, sim!, ele faz-me falta e sim!, há sempre algum pesar na sua ausência. Mágoa nunca. Mas lembrança grata? Sempre!

E há também uma espécie de Síndrome de Abstinência. E esse é o que custa mais. É quando existe uma quebra num vício. E ele não é um vício, mas anda lá muito perto.

E hoje pesou. E só pelo peso de hoje, apenas um dia, não quero pensar quando, seja por que motivo for, for mais tempo…

Sim!, tenho saudades dele. Muitas. E pergunto: falta muito para amanhã?

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Resumo do dia de hoje:

  • – Acordar com o despertador às 6h30 com uma notificação do próprio telemóvel a informar que a minha estabilidade a andar continua muito baixa e existe o risco real de queda nos próximos 12 meses. Não nego a cada vez mais fraca estabilidade a andar e o risco real de queda, por isso termino todos os dias a celebrar comigo própria o facto de ter conseguido ainda não cair. Por pouco em algumas situações (ainda hoje…), é verdade. Mas tenho conseguido evitar a queda. Mas se tenho medo das possíveis consequências de uma queda? Tenho. Muito.

  • – Demorar mais de 1 hora para chegar, de autocarro, à paragem mais próxima da consulta. Claro que cheguei lá com 55 minutos de atraso. Mas telefonei e avisei. “Não tem problema, a Doutora espera.

  • – Consulta com boas notícias. As análises que não foram feitas há dois dias acabaram por não ser necessárias porque, no meu processo, constam os resultados das análises que fiz uma semana depois da toma da medicação intravenosa e os valores que a Dra. queria saber também foram registados nessa altura. A função hepática melhorou. Continuo sem qualquer efeito secundário, seja do antibiótico diário em jejum da terapêutica preventiva, seja da medicação intravenosa de há umas semanas para travar a progressão disto que me apanhou na curva.

  • Aquele pastel de nata que acompanha o café sempre que vou à consulta ali. Não falha. E é demasiado bom para dizer que não. Seja como for, só como pastel de nata com açúcar e canela, sempre!, quando vou ali. E já só volto lá em Janeiro, por isso, é tranquilo.

  • Muito cansada quando cheguei a casa. Muito sono que, confirmou-me hoje a médica, afinal faz parte dos efeitos da medicação. Disse-lhe, claro, que “muito sono” é o meu nome do meio. Mas, pelo menos, agora já entendo ao que se deve.

  • – Depois do almoço, café e tratar de algumas burocracias online para, logo após as 16h, aterrar no sofá e morrer para o Mundo até ser acordada às 20h30 para jantar. Foi impossível manter-me acordada. Muito cansada e com muito sono, bastou o aconchego da manta e o calor da almofada térmica e depois de me aninhar não me lembro de mais nada.

  • – Uma saudade imensa dele. Que amanhã será igual ou ainda maior porque vai estar menos disponível.

  • – É Halloween. Nunca lhe achei piada. Já me tocaram à campainha. Levaram uma nega, claro. Assim como levou nega o grupo que encontrei na entrada do prédio quando voltei do café e perguntou se sabíamos de alguém que abrisse a porta para entregar doces. Conhecendo (pouco) os vizinhos que tenho, respondi que ninguém iria abrir a porta. Coincidência ou não, apesar de ainda ouvir pela janela os grupos que andam por aí, a campainha não voltou a tocar. E ainda bem.

E assim se passou mais um dia. O sono? Continua em barda, por isso hoje não vou ficar pelo cadeirão muito mais tempo. Vou fumar mais um cigarro e a cama é o próximo ponto de paragem. Agora já com edredon e a companhia habitual da almofada térmica quentinha é o lugar perfeito para se estar. E adormecer vai acontecer muito rapidamente.

Quanto a amanhã, é o que vier. E depois logo se vê. A única certeza que tenho é que vou ter muitas saudades e sentir muito a falta dele. O resto? É só mesmo isso: o resto.

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Hoje foi dia de parar. Simplesmente parar. Para recuperar dos últimos dias e preparar-me para amanhã sair de casa antes das 8h para mais uma consulta. Só mais uma. Outra vez. Fazer o quê? Ir, mesmo que não tenha o resultado das análises que não foram feitas ontem no Hospital por causa da greve dos técnicos de diagnóstico. Não interessa. Se é para cuidar de mim, vou. Ponto final. Vai-me custar, claro, sair de casa tão cedo, mas desde que não esteja a chover já não é mau.

O dia de hoje estava pensado para ser um bocadinho mais mexido. De manhã um céu azul perfeito e o Sol a brilhar. Cheguei a pensar em ainda ir beber café à esplanada para aproveitar essa manhã bonita. Mas, sozinha em casa, não quis arriscar.

Andei entre o sofá e o cadeirão. Mas sempre a pensar em sair de casa mais perto do final da tarde. Ir de casa até ao parque. Aí voltar a largar a bengala e o braço da minha mãe e trabalhar o equilíbrio. O objectivo final seria, claro, chegar ao paredão e, mais uma vez, esperar pelo pôr do Sol na praia.

Não aconteceu. São Pedro não colaborou, trouxe as nuvens, tapou o Sol e ainda deu ordem de chuva, ainda que pouca e fraca, que as nuvens cumpriram. Acredito que tenha sido uma qualquer espécie de sabotagem para me obrigar a ficar quieta e sossegada e descansar.

Claro que, depois de várias horas no cadeirão, assim que cheguei ao sofá poucos minutos depois das 18h, adormeci de imediato, com o telemóvel na mão enquanto escrevia uma mensagem. Mais uma vez. Já começa a ser habitual, coisa que nunca foi normal em mim…

Dormi e descansei. Pelos vistos estava a precisar mais do que pensava.

Todo o dia foi passado em câmara lenta, tudo muito devagar, devagarinho. Mas, e como sempre, com a presença dele. A quem disse que tinha escrito algo que gostava que ele lesse. E leu.

E posso garantir que o ponto alto do meu dia foi, precisamente, a reacção dele. Que, mais uma vez e talvez até nem fazendo ideia disso, me confirmou que sim!, ele é, de facto, a outra metade de mim que eu não sabia que me faltava.

E as palavras que me deixou depois de me ler não deixam dúvidas de nada. E ficam guardadas comigo, bem fundo cá dentro. E, sempre que precisar de algum conforto, algum aconchego, sei que elas estão guardadas em mim.

Agora, é com um sorriso no rosto que vou aninhar e enroscar na nossa conchinha de bichinho de conta. Porque, mesmo que haja uma distância de 135km entre nós, ele está sempre comigo e é aconchegada nele e por ele que todas as noites adormeço. E hoje não será excepção.

Quanto ao dia de amanhã? Logo se vê. Não me apetece pensar nisso agora. A única coisa que tenho a certeza sobre amanhã é que ele vai estar presente, como está sempre. Desde o primeiro dia. E isso é o que importa. O resto é só mesmo isso: o resto.

{#302.065.2024}

Hoje, e ainda muito cansada do dia de ontem, foi dia de análises marcadas no Hospital para controlar valores, dada a toma diária e em jejum de um antibiótico que se vai manter presente até Fevereiro como terapêutica preventiva para a tuberculose latente, em que os valores da função hepática têm que ser verificados todos os meses. No mês passado os resultados já mostravam alguma alteração dos valores da função hepática. Não sei se é possível fazer alguma coisa do meu lado para evitar essas alterações. Sei, sim, que se os valores continuarem alterados ou até se tiverem piorado existe a possibilidade de trocar de antibiótico. O que não pode mesmo acontecer é interromper esta terapêutica, que é preventiva, na tentativa de eliminar o bacilo que carrego comigo e que apanhei sabe-se lá como. E, estando latente, é um risco demasiado elevado para quem, como eu, neste momento está sem sistema imunitário. O bacilo está a ser combatido. E, estando latente, não pode acordar! Acordar o bacilo da tuberculose, desenvolver a infecção, neste momento sem sistema imunitário? Não pode acontecer!

O que também não pode acontecer são as alterações da função hepática, mas essas são de mais fácil resolução. Acho eu… É uma questão de trocar o antibiótico e esperar para ver. Porque essas alterações também podem trazer complicações graves.

E é por isso que, todos os meses, vou até ao Hospital recolher sangue para verificação de valores. Como fui hoje. Mas hoje, e tendo a consulta marcada para depois de amanhã para se falar dos valores actuais, não houve recolha de sangue… Os técnicos de diagnóstico estiveram em greve. Que não contesto, que apoio, que concordo. Já ontem estiveram de greve também. Mas hoje…só eu sei o que me custou sair da cama de manhã ainda cansada de ontem…

Mas, cansada ou não, foram dois autocarros para lá chegar, tirar uma senha com 32 pessoas à frente e esperar. Não para ser chamada para recolha de sangue porque só os doentes oncológicos estavam a ser atendidos, o que é compreensível. Foram 2 horas de espera unicamente para remarcação das análises…

Liguei, claro, para o CDP para remarcar a consulta de quinta feira às 8h30, uma vez que não havia análises para ver e ainda tenho medicação para mais uns dias para lá da consulta. “Não estamos autorizados a fazer remarcações até ao final do ano“, foi a resposta que me deram, “se tem consulta marcada tem que vir na mesma“…

Está bem, quinta feira às 8h30 lá estarei. Felizmente amanhã não tenho nada marcado, não tenho horário para acordar, vou finalmente poder descansar. A ideia, quando voltei do Hospital, era almoçar, beber o meu café em casa e aterrar no sofá. Cheguei a casa às 16h30. Almocei depois das 17h. Fui para o cadeirão beber o meu café, fumar o meu cigarro e já não consegui ir para o sofá…

Não só não tinha coragem para sair do café por causa das dores nas pernas e no quanto me custa levantar e conseguir caminhar até ao sofá. Mas também porque, à distância de um clique, estava ele. E estar com ele, mesmo a 135km de distância mas sempre presente à distância de um clique, é sempre a melhor parte do meu dia.

É a minha paz. A minha tranquilidade. A minha segurança. Podia dizer que é o meu porto de abrigo. Mas seria insuficiente para descrever tudo aquilo que ele (me) é. É aquela metade de mim que me estava a faltar. E (re)encontrá-lo a 5 de Junho de 2023 foi a melhor coisa que me aconteceu. E que todos os dias melhora mais um bocadinho. E sabê-lo sempre , sempre presente, sempre comigo, mesmo que não o veja, não o sinta, não o cheire, não prove o sabor do seu beijo nem o calor do seu abraço que me acolhe, aconchega e protege, não tem preço.

E ninguém imagina, nem ele próprio imagina!, a força que todos os dias me dá para enfrentar seja o que for com que eu me depare.

Não há explicação para o que existe entre nós. Quero dizer, há! Mas é uma explicação que poucos entendem ou aceitam. Mas ninguém tem que entender ou aceitar. É uma coisa só nossa, que ambos aceitamos e entendemos. Mesmo que, às vezes, ainda perguntemos “como é que é possível?”. A intensidade. A verdade. O que ambos sentimos. O que ambos queremos. O que ambos vivemos. Todos os dias desde aquele dia 5 de Junho de 2023 em que um simples “Olá” abriu as portas àquilo que eu chamo de reencontro. Porque ambos sentimos que nos conhecemos, que nos pertencemos desde sempre. Outros tempos? Outras vidas? Essa é a única coisa que, realmente, não sabemos explicar. Mas desde aquele dia que sabemos que aquele não foi o primeiro dia, o primeiro encontro.

Sim, ele é aquela metade de mim que me estava a faltar. Disso não tenho dúvidas. E sabê-lo, senti-lo, vivê-lo!, é uma coisa extraordinária. Que nunca pensei experenciar. Saber. Sentir. Viver! Nunca pensei que tivesse essa oportunidade. Não sei porquê. Sempre me achei não merecedora disto. Mas depois lembro-me que fui eu quem, numa qualquer rede social, sem qualquer outra intenção que não apenas dizer “Olá” a quem me acompanha, fui eu quem abriu aquela porta para o Mundo. E não sei como, talvez porque o Universo estava atento, ou se calhar estava à espera que eu abrisse essa porta!, poucos minutos depois recebo uma mensagem privada em resposta ao meu “Olá”. E lá estava ele. A única pessoa que me respondeu, na verdade. Porque, e cada vez acredito mais nisso, aquele “Olá” estava destinado apenas para ele. Só ele leu o “Olá”. E, de alguma forma, encontrou a tal porta aberta e chegou até mim. Até ao destino? Não sei. Sei que, logo no primeiro momento, o reencontro foi intenso. E, nas palavras dele há poucos dias quando conversámos mais uma vez sobre aquela publicação, o meu “Olá” foi, para ele, avassalador. E isso é tão bonito.

Hoje, mais de um ano depois, continua a ser avassalador. Não só o “Olá” mas todo aquele amor intenso que temos um pelo outro mesmo que nunca nos tenhamos visto ao vivo. Nunca tenhamos estado juntos. Nunca tenha sido sentido aquele abraço. Nunca nos tenhamos tocado. O beijo que nunca existiu. O cheiro que nunca tenhamos incorporado em nós.

São 135 km de distância. Não é muito, é verdade. Não é impossível percorrer a distância. Mas a vida também sabe não ser justa e as circunstâncias que existem são o que são. Mas não tenho dúvidas nenhumas: não será por isso que o nosso amor vai terminar. Somos dois? Não. Somos um só. Ele lá. Eu aqui. Mas sempre presentes um no outro. E a caminhar de mão dada. Nos dias bons. Mas especialmente nos dias menos bons. Ou até mesmo maus.

Sem ele comigo o Mundo é um lugar estranho. E com ele sempre comigo, sempre em mim, a metade de mim que me estava a faltar, tudo é tão mais bonito, tudo é tão mais simples, tudo é tão mais fácil

não me imagino sem ele. E, claro, tenho medo por ele. Porque, se lhe acontecer alguma coisa, eu dificilmente saberei. Mas provavelmente sentirei. E não será nada bom…

Sim, já não me imagino sem ele. Porque ele faz parte de mim. Aquela metade que eu não sabia que me faltava. Com ele, estou inteira, completa. Sem ele…? Provavelmente seria apenas nada

{#301.066.2024}

Das coisas que ainda não aprendi. E que dificilmente vou aceitar. Eu já não sou, porque não posso ser, a mesma de, por exemplo, há um ano.

Sair de casa antes das 8h da manhã para regressar às 19h e passar o dia de um lado para o outro há um ano ainda se fazia bem. Chegava a casa moída e cansada, claro. Mas não era nada por aí além.

Hoje, sair de casa antes das 8h da manhã para regressar às 19h, tendo ido a vários sítios mas nem tanto tempo assim em cima das pernas, com excepção de quando decidi vir da vila a pé com paragem longa no paredão para matar saudades do pôr do Sol na praia seguida de passagem pelo parque até casa? Asneira! Foi chegar a casa sem força nas pernas e com demasiadas dores ao ponto de não conseguir sequer andar quando já em casa.

Não, ainda não aprendi a ser comedida nos esforços da marcha. Não, não aceito o estado a que cheguei a casa. O não conseguir andar. Porque andar era algo que eu sempre dei como garantido desde que aprendi a andar.

E não aceito sequer a possibilidade, não sei se remota ou não, daquela solução que tenho visto em pessoas como eu.

Continuo a não conseguir aceitar nada disto. Continuo a não conseguir chorar. Continuo zangada, revoltada, frustrada.

E continuo a aprender a lidar com isto. De uma forma que nem eu sei bem como. Mas sei que um dia aprendo.

Agora? Hora da Cinderela que já devia estar a dormir. Amanhã é dia de Hospital, felizmente a uma hora mais simpática que não obriga a madrugar. Mas já sei que o meu corpo se vai ressentir de hoje.

Felizmente a tarde está reservada para o sofá. Ou não, ainda não sei. Sei, sim, que hoje foram 3,2km que me derrubaram. Quando há relativamente pouco tempo não faziam mossa.

Seja. Amanhã, quando voltar do Hospital, logo se vê se a tarde fica ou não reservada para o sofá. Por hoje já chega

{#300.067.2024}

Meus amigos, a Depressão é uma doença mental filha da mãe. É aquela que dói e corrói por dentro, mesmo que por fora pareça que está tudo bem. Felizmente tem tratamento. E cura. Mas é muito fácil voltar a cair nela.

Lido com ela há tantos anos que já não me lembro quando foi confirmada pela primeira vez. Mas já perdi a conta aos terapeutas que me acompanharam.

Em 2016 tive a sorte de começar a ser seguida pelo terapeuta fofinho. Que, na primeira consulta, me disse “tu estás agora perdida numa floresta escura e assustadora, mas eu vou estar aqui como uma luz para ajudar a encontrares o mapa e fazeres o teu caminho“.

Posso dizer que foi ele que me salvou a vida.

Agora, no Hospital, quando preciso muito de ajuda, tenho um psicólogo que NÃO me ouve, nem quando lhe dou um sinal de alerta extremo: sim, faço algo como auto-punição.

Consultas de 30 minutos servem zero. Intervalos de mês e meio ainda servem menos. Especialmente quando se precisa de ajuda para ontem!

Mas depois há linhas de apoio. Como a linha SNS24 que agora também tem apoio psicológico. Funciona 7 dias por semana, 24 horas por dia.

E eu, com ausência de ajuda, seja de um bom psicólogo ou dos amigos, vou ligar agora para lá.

808242424, opção 4. Porque sim!, eu PRECISO DE AJUDA!

E fica a pergunta no ar: se até o neurologista na consulta em que só via o meu olhar percebeu que “essa depressão não vai bem, pois não?“, como é que no dia seguinte o psicólogo não viu?!

Não sei. Sei que pedir ajuda é necessário. E não é vergonha nenhuma, nem é dar parte fraca. Mas às vezes o peso do Mundo é demasiado para o carregarmos sozinhos…

{#299.068.2024}

Eu disse, esta tarde, que queria ir à rua. Dar uso às pernas que bem precisam de ser usadas e trabalhadas diariamente. Mas a verdade é que, claro, no sofá com duas mantas, uma gata e uma almofada térmica quentinha, só podia acontecer o que acabou por acontecer: adormeci. Que é o que agora mais faço porque estou cansada de nada.

Mas acabei por ir à rua. Espairecer um bocadinho, respirar ar fresco para me aliviar das alergias que tomaram conta do pessoal cá de casa. Mercearia e depois a esplanada do costume para comer uma tosta para o jantar. E, posso garantir, o serviço na esplanada do costume está cada vez melhor. Só que não…

Fui acompanhada pela minha mãe, claro. Conversámos, mas já não me lembro sobre o quê…

O frio estava agressivo e de repente lembramo-nos que estamos no final de Outubro! É normal que esteja frio. Mas nem por isso chateia menos.

Voltámos para casa e, para mim, ir dormir está fora de questão. Demasiado agitada, demasiado inquieta. Com tanta coisa a correr na minha cabeça. Não necessariamente coisas agradáveis. Claro que, mais uma vez, me sinto cansada. Quero obedecer ao que o meu corpo exige, mas a minha cabeça não deixa…

E para ajudar (só que não) vou consultar os resultados deste Sábado e confirmo: hoje dei uso às pernas. Foram 220 metros, 317 passos. Vergonhoso, portanto…

Tenho que combater isto. Não sei como, mas tenho. Não posso permitir que o sono, o frio, a chuva me façam parar no sofá todos os dias. Não. Eu PRECISO todos os dias de dar uso às pernas, mas mais do que 220 metros.

Estou perfeitamente consciente que a perda da mobilidade é uma realidade possível. Mas eu não a quero para mim. E tenho as ferramentas todas necessárias para combater isto. Tenho pernas mais ou menos cansadas e doridas mas funcionais! Tenho um parque de 14 hectares praticamente à porta de casa com o chão regular e perfeito para caminhar, trabalhar a marcha e o equilíbrio. Com um relvado imenso à espera que os meus pés descalços o pisem.
E, logo ao lado, tenho 3 km de um paredão junto à praia, onde posso respirar o ar do Mar que está logo ali.

Tenho tudo. Até uma bengala para me apoiar e a minha mãe para me acompanhar. E não o faço…por pura estupidez. E, talvez também, alguma falta de incentivo. Eu sei que o tal incentivo tem que partir de mim. E na minha cabeça ele está muito bem definido. Sei exactamente tudo o que posso e quero fazer. Mas não sei por onde começar nem onde e o que procurar…

Resumindo: não, não está fácil. Nem física nem mental e muito menos emocionalmente. Estou completamente na merda. E se o digo é porque, de facto, o sinto. E dizerem-me que este discurso não ajuda nada e que eu tenho que ser mais positiva ajuda ZERO!

É exactamente o mesmo que me dizerem que tenho que ser forte quando forte é tudo o que tenho sido nos últimos anos. Se não o fosse, tenho a certeza que hoje não estaria cá para contar a História. Que é a MINHA História. Que tem sido de luta desde que me conheço.

Por isso, não!, não tenho que ser mais positiva, mais forte, mudar o discurso que é um discurso de quem está cansada de tudo o que tem passado, tudo o que tem lutado e que, de repente, com a excepção da família, com a excepção dele que está sempre à distância de um clique que fica a 135km, está completamente sozinha.

Não procurei nada do que já passei. Decididamente não procurei isto que me apanhou na curva. E também decididamente não fiz nada para, quando mais preciso de quem diz que gosta de mim, não ter ninguém por perto, nem para beber um simples café!

Enfim…alguma coisa devo ter feito de errado. Só não sei o quê…

{#298.069.2024}

Há dias que são simplesmente dias “Não“. Não quero dormir, não quero acordar cedo, não quero sair de casa, não quero que o telefone toque, não quero ouvir ninguém, não quero ver ninguém, não quero falar com ninguém. Sendo ele a excepção óbvia.

Hoje foi um desses dias…

Devia ter saído de casa para dar uso às pernas? Sim, devia! Assim como devia fazê-lo TODOS OS DIAS.

O ideal? Era ter, em casa, uma daquelas bicicletas fixas que tanta gente tem em casa arrumada a um canto a servir de cabide. Garanto que, em vez de ficar aqui sentada no cadeirão sem me mexer, iria pedalar todos os dias várias vezes por dia. E depois ia até ao parque caminhar um pouco.

Estou preocupada com a minha marcha, para já nem falar do equilíbrio, e pondero inscrever-me num ginásio. Que já tive essa fase há uns anos, ginásio TODOS OS DIAS depois do trabalho e que aprendi a abominar.

Não faltam ginásios aqui no burgo, mas só de passar à porta e ouvir aquele barulho ensurdecedor de música que deixa a desejar, só de passar à porta!, a vontade é de fugir!

Procuro a piscina que toda a gente diz que existe mas ninguém me sabe explicar onde. Não seja por isso, em último caso tenho a piscina de Corroios.

O importante, mesmo, é trabalhar as pernas. Não posso, NEM QUERO perder a mobilidade! Que, aos poucos, está cada vez mais difícil.

Os dias “Não” também têm que ser combatidos se começarem a ser regulares. Podem acontecer uma vez por outra. Mas, com regularidade? Não!

Resumindo e baralhando: continuo muito perdida, pouco assistida, nada acompanhada e à espera do regresso à fisioterapia a 6 de Novembro.

E deprimida? Claro que sim. O neurologista viu isso no meu olhar por cima da máscara. O psicólogo não viu, não ouviu, não quis saber.

E assim vão seguindo os dias por aqui. Um atrás do outro. E todos iguais. A ver o tempo passar…

{#297.070.2024}

A ideia inicial era clara: hoje não saio de casa! Estou cansada, apesar de ter que trabalhar a marcha e o equilíbrio, a ideia era descansar. Os últimos dias têm sido algo movimentados e as minhas pernas ressentem-se. Mas acabei por contrariar a ideia inicial e apostei naquilo que sei que tenho que fazer todos os dias: dar uso às pernas. Nem que fosse só ir até ao café e voltar.

Fui à rua, beber café na esplanada do costume. Que é já ali. É perto. Acessível.

Fui. Fiquei. Telefonei a quem fez anos há quatro dias e que eu nunca mais me lembrei.

Depois? Dar um bocadinho de uso às pernas aqui mesmo no bairro. Nada longe. E, no regresso, perceber que tenho que fazer algo com urgência para manter a marcha. Porque eu recuso a alternativa.

Não, a marcha não está boa. E o equilíbrio também está cada vez pior. Por isso amanhã é dia de procurar soluções. Não posso, nem quero!, perder a capacidade de simplesmente caminhar…sei que essa possibilidade é real. Mas eu quero fazer tudo para que não aconteça! A fisioterapia só recomeça a 6 de Novembro. Ainda falta algum tempo. E já sei que, apesar de ser importante, não é suficiente. Por isso, vou procurar soluções!

Agora que a noite já se fez madrugada é hora de descansar. Amanhã? Logo se vê…