Dia de consulta. Que ontem ainda me deixava apavorada por não saber o que ia ouvir, e esta manhã já só me deixava ansiosa e nervosa.
A consulta não começou à hora marcada, claro. Até seria de estranhar se não houvesse atrasos.
Mas valeu a pena. O médico, já sabia, é daqueles que diz tudo e não só diz como também EXPLICA! Falámos sobre o tratamento, o que é esperado que aconteça com uma medicação modificadora da doença, que não cura mas dá-lhe uma espécie de novo rumo para travar a progressão. Falámos das lesões que já existem no meu sistema nervoso central. Na coluna, diz-me ele, existem. Mas são irrisórias. Mas no cérebro? Não são só muitas. São bastantes! Mostrou-me as imagens da Ressonância Magnética e esclareceu-me que cada ponto ou mancha branca são lesões. E foi aí que percebi porque é que ele disse que eram bastantes…o meu cérebro, visto na RM, parece uma árvore de Natal decorada com luzes brancas.
São muitos os pontos brancos, são muitas as manchas brancas. Um ponto corresponde a uma lesão. Uma mancha, e algumas são grandes!, são lesões ou de maior dimensão ou que se agregaram ali. Portanto, sim!, as lesões cerebrais são muitas, não são recuperáveis, mas com a medicação é possível travar a sua progressão.
Próximos passos: caminhadas na praia na areia seca para trabalhar o equilíbrio e na molhada para estimular os pés, voltar ao Yoga logo que possa (são ordens do médico!) e nem pensar em desistir das aulas e trabalho em piscina.
Resumindo, a medicação faz o que tem a fazer, eu faço o que tenho a fazer.
Foram 45 minutos de consulta. Que, diz-me ele, “já me ocupou duas consultas”.
Fiz as perguntas mais importantes que queria fazer. E perguntei sobre fazer uma tatuagem. Ele já conhece as minhas duas tatuagens anteriores e sabe que são marcos. Disse-lhe que queria marcar este momento. Disse-me que sim, desde que não seja muito grande nem tenha muita cor. Perguntou o que quero tatuar. Quando lhe disse o que era, respondeu que faz todo o sentido.
Resumindo, há muito trabalho pela frente. Da medicação e meu. Por isso, vamos a isso!
Foi uma consulta tranquila e, felizmente, com um médico que desde o primeiro dia explica tudo!
Amanhã? Volto ao cadeirão, de preferência o que fica ao lado da janela!, para mais 6 horas a receber a segunda meia-dose da medicação. Depois só daqui a 6 meses é que repito o processo, mas aí já a dose completa.
O despertador vai tocar muito cedo, já é muito tarde, ainda não estou na cama embora esteja cansada. O que me consola? É saber que no cadeirão do Hospital de Dia também se dormem boas sonecas.

