Ainda da consulta com o neurologista na segunda feira, há um diálogo que não me sai da cabeça…
Ele: Já sabe que o seu hardware está danificado, mas o seu grande problema está no software…
Eu: já percebi, Dr. Tenho bug, não é?
E pronto, rimos os dois.
A situação clínica não é boa, é verdade. Mas poder brincar ajuda a lidar com isto. E quando o próprio médico ajuda e brinca também numa linguagem que o paciente (neste caso eu!) entende e responde na mesma linguagem, tudo fica mais simples.
Sim, eu tenho um bug! E tu? Qual é o teu superpoder?
Entretanto, são pelo menos mais duas semanas de bolha de auto-isolamento que o médico recomenda porque o sistema imunitário foi bastante abaixo e começou a época das constipações, gripes e infecções respiratórias, ou seja, tudo aquilo que eu tenho que evitar a todo o custo neste momento. Mas, sem café em casa, furo a bolha de vez em quando para ir à rua beber café, com todos os cuidados, de máscara sempre até chegar o café e o mais longe possível de toda a gente.
Se tenho medo de apanhar alguma coisa? Claro que tenho. Especialmente agora que a minha mãe anda todos os dias de autocarro, vai à fisioterapia e está exposta a tudo e mais alguma coisa que pode trazer para casa sem sequer saber.
Mas não posso deixar-me levar pelo medo. Mas, na verdade, andar de máscara em casa é coisa que já me tem passado pela cabeça…
E, quando puder finalmente regressar ao Yoga, vai ser de máscara nas aulas…não quero, nem posso!, apanhar sequer uma constipação. Porque até uma coisa tão simples como uma constipação pode causar grandes problemas. E já chega o que chega…
O corpo continua a recuperar da última toma da medicação, mas hoje já de forma mais acordada e consciente. Nada comparado com o dia de ontem.
Agora que já tenho a medicação milionária a correr-me nas veias está na hora de deixar a medicação fazer o seu trabalho e começar eu a fazer o meu. A vontade hoje era ir caminhar no parque e, quem sabe, chegar ao paredão. Mas sozinha não me atrevo e a minha mãe não estava em condições. E as previsões do tempo para os próximos dias não são nada favoráveis a sair de casa para caminhadas, por isso vai ter que esperar mais um bocadinho. Mas preciso de me mexer. Dar uso às pernas. Esticar-me um pouco. Alongar, pelo menos. Mas, sem orientação, nem sei por onde começar…
Logo se vê. Sei que ainda preciso de recuperar totalmente da toma da segunda meia-dose da medicação. Não devo abusar do corpo para que o corpo não me falhe. Amanhã logo vejo como acordo e o que posso fazer por mim…
Mas já ninguém me pode dizer que não tenho bug! Tenho e está confirmado pelo neurologista. E o que é que eu faço com essa informação? Rio-me, claro! Porque, apesar de ter sido um passar de informação clínica, foi perfeitamente entendida numa linguagem que tanto o médico como eu entendemos. E só isso já é um passo tão importante para conseguir aceitar isto de outra forma.

