Domingo, aquele dia de Julho em que acordei cedo com vontade de ir até à praia caminhar à beira mar. Acedi à beachcam e o Mar estava perfeito para o que eu queria: maré vazia e praticamente sem ondas. Às 9h15m da manhã a praia estava vazia. Ao mesmo tempo que estranhei achei (mais ou menos) normal: era cedo para multidões. Mas mesmo assim…
Até que a beachcam mudou de plano. E, logo ali em primeiro plano, a Bandeira Azul e a bandeira amarela bem direitas, enfunadas, endireitadas pela força do vento. Abri a app de Meteorologia e percebi a praia vazia: às 9h15m de uma manhã de Domingo em pleno mês de Julho, estavam 17 graus…! Frio. Muito frio e muito vento. E logo decidi: a praia vai ficar para mais tarde, se a temperatura subir e o vento acalmar.
Não aconteceu.
O dia foi, todo ele, para dormir. Com edredon e almofada térmica de trigo para garantir que adormecia quentinha. Numa manhã de Domingo em pleno mês de Julho. E todas as noites o cenário é o mesmo: edredon e almofada térmica. Onde, para além do calendário, se meteu o Verão…?
Saí ao final da tarde, fui beber café e fui ao parque. O vento frio tirou-me toda a vontade de ir até ao paredão. O melhor a fazer foi mesmo voltar para casa para aquecer.
E, ao chegar a casa, fui ler as mensagens que ouvi chegar durante o caminho. E mais alguém se faz presente. E, mais uma vez, agradeço. Porque ninguém imagina a importância que essas mensagens de presença têm neste momento, especialmente de pessoas que estão geograficamente longe, mas que me dizem “estou aqui”. São essas pessoas, essas presenças que me fazem não desistir. Que me fazem não querer desistir.
O caminho, desde o primeiro dia que o sabia, é difícil. Nunca pensei que fosse tão difícil. Mas, sabendo que não estou sozinha, torna o caminho mais fácil, mais suportável. E é tão importante saber que há quem me acompanhe neste caminho cuja rota ainda desconheço.
Amanhã não há fisioterapia. Estou à espera de novo ciclo que não sei quando irá começar. Por isso não há necessidade de acordar cedo. Claro que o despertador toca às 7h para tomar o antibiótico da terapêutica preventiva e assim será durante longos meses, mas vou poder voltar a dormir logo de seguida. Se conseguir… De resto, logo se vê como será o dia de amanhã. Será mais um dia igual aos outros, a ver o tempo passar, sem absolutamente nada para fazer…
Bem, será o que tiver que ser, como tiver que ser. E, se o tempo e o vento ajudarem, darei um salto à praia. Logo se vê.

